O neoliberalismo em poucas palavras
O neoliberalismo assenta em ideias que colocam o indivíduo
no centro, valorizando a individualidade acima de tudo. Baseia-se numa crença
inabalável na competição como motor de progresso, na convicção dogmática de que
o mercado livre se autorregula e num profundo ceticismo em relação ao Estado,
visto como ineficiente e limitador das liberdades económicas.
Na prática, estas ideias traduzem-se em políticas económicas
que promovem a privatização de empresas públicas, a liberalização dos fluxos de
capitais entre países, a desregulação do mercado de trabalho e dos sistemas
financeiros, e a independência dos bancos centrais. Defende-se que os Estados
devem financiar-se através dos mercados financeiros, em vez de recorrerem aos
bancos centrais, e que os serviços públicos devem ser concessionados a
privados, funcionando segundo a lógica de mercado e da concorrência.
O neoliberalismo defende ainda que o risco deve ser
suportado pelo indivíduo, que, através de seguros privados e sujeitos à
concorrência, procura garantir a sua proteção em todas as áreas. Na saúde, por
exemplo, preconiza-se que seja paga por quem pode pagar, reservando-se o
serviço nacional de saúde apenas para os mais carenciados. As políticas sociais
do Estado devem, segundo esta visão, limitar-se a proteger situações de pobreza
extrema, em vez de garantir padrões mínimos de bem-estar para todos, reduzindo
o papel do Estado a um mero assistencialismo.

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