Quando os media se transformam em sarjeta social
O Ronaldo chateou-se num treino da seleção nacional, amuou, chamou o seu jato privado e foi-se embora. Por asco, não vou comentar este caso. Vou apenas lembrar que essa viagem do astro dos alienados da bola, feita num acesso de amuo e privilégio, poluiu, numa única deslocação, mais do que aquilo que a esmagadora maioria dos portugueses polui durante meses. Mas há algo neste episódio que merece, isso sim, ser denunciado: a forma absolutamente desproporcionada, obscena e alienante como os media mainstream — com particular destaque para as televisões — se atiraram ao assunto. Os media do sistema dedicaram, e continuam a dedicar, horas e horas de emissão a comentários, especulações, casos e casinhos relacionados com o amuo de Ronaldo e com a sua saída da seleção nacional de futebol. A coisa atingiu proporções verdadeiramente grotescas. Os telejornais — há muito transformados em autêntico lixo tóxico para a sanidade social — aproveitaram mais uma vez o seu estatuto de sarjeta mediática ...