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Quando os media se transformam em sarjeta social

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O Ronaldo chateou-se num treino da seleção nacional, amuou, chamou o seu jato privado e foi-se embora. Por asco, não vou comentar este caso. Vou apenas lembrar que essa viagem do astro dos alienados da bola, feita num acesso de amuo e privilégio, poluiu, numa única deslocação, mais do que aquilo que a esmagadora maioria dos portugueses polui durante meses. Mas há algo neste episódio que merece, isso sim, ser denunciado: a forma absolutamente desproporcionada, obscena e alienante como os media mainstream — com particular destaque para as televisões — se atiraram ao assunto. Os media do sistema dedicaram, e continuam a dedicar, horas e horas de emissão a comentários, especulações, casos e casinhos relacionados com o amuo de Ronaldo e com a sua saída da seleção nacional de futebol. A coisa atingiu proporções verdadeiramente grotescas. Os telejornais — há muito transformados em autêntico lixo tóxico para a sanidade social — aproveitaram mais uma vez o seu estatuto de sarjeta mediática ...

Nova "flotilha de Gaza" pirateada e humilhada por forças israelitas ...

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O Estado racista, pirata, criminoso e genocida de Israel voltou a atacar a humanidade. Desta vez, assaltou e sequestrou os ativistas da mais recente flotilha de ajuda humanitária com destino à Faixa de Gaza — território que há décadas é vítima da barbárie sistemática e ininterrupta dos criminosos sionistas. Os ativistas capturados pelos terroristas piratas de Israel foram agredidos e humilhados, como esses bandidos sionistas sempre fazem, com requintes de crueldade e desprezo por qualquer norma civilizatória. Mas o que há de verdadeiramente novo neste ato de pirataria e terrorismo sionista é a particular ignomínia: o ministro Itamar Ben Gvir — que é, para ser generoso, um porco fascista — teve a ousadia, a arrogância e a perversão de divulgar um vídeo onde ele próprio participa das agressões e humilhações aos ativistas. Um ato verdadeiramente inqualificável, que expõe sem véus a podridão moral e a essência totalitária dos algozes sionistas. Entretanto, diante de tamanha evidência...

Não Há Debate Possível

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Pacheco Pereira, um dos raros intelectuais portugueses que, mesmo quando discordamos de muitas das suas posições, merece o nosso mais profundo respeito pela rigorosa capacidade de análise, pela honestidade intelectual e pelo domínio sereno da história política portuguesa, decidiu desafiar o líder da extrema-direita para um debate televisivo. O pretexto foi uma afirmação histórica claramente falsa e provocatória: a de que “pouco tempo depois do 25 de Abril havia mais presos políticos do que antes de 1974”. O desafio surpreendeu muitos. E o resultado, infelizmente, confirmou o pior cenário possível: o debate transformou-se num desastre retórico, histórico e ético. Não por falta de preparação, de argumentos ou de dossiers por parte de Pacheco Pereira — que, como sempre, dominou o terreno com precisão cirúrgica. O problema é mais profundo e estrutural: não é possível debater com a extrema-direita. Porque a extrema-direita não debate. Ela não aceita o debate como instrumento de procura da v...

O Ocaso da Civilização: O Império Decadente, o Seu Protegido Sanguinário e o Abismo Ético do Nosso Tempo

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Não vivemos um mero ciclo de crise: assistimos à metástase moral galopante da modernidade. Se a década de 1930 foi o prelúdio sombrio do horror, a nossa era é o seu espelho deformado e grotesco — um tempo em que a barbárie já não se esconde nas sombras, mas se exibe em alta definição, se consome em tempo real e se integra no quotidiano com a mais cínica naturalidade. O que outrora foi o “silêncio cúmplice” das democracias liberais transformou-se na forma mais perversa e repugnante de participação: a normalização ativa, entusiástica e militante da violência mais desumana. O obscurantismo contemporâneo não nasce da ignorância, mas de uma indiferença fria, calculada e deliberadamente cultivada. Décadas de neoliberalismo selvagem não se limitaram a reorganizar economias: reprogramaram consciências, fragmentaram o tecido social até ao osso, dissolveram o sentido de comunidade e reduziram o cidadão a uma mera unidade de cálculo egoísta, incapaz de reconhecer no outro um igual, um ser humano....

Fim da Ordem Mundial? Não! Fim da Farsa

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A propósito das declarações recentes de Ursula von der Leyen sobre o “fim da ordem mundial”, declara com cinismo descarado que “a Europa não pode continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial, de um mundo que se foi e não voltará”, fica mais uma vez escancarada a falência moral absoluta, a hipocrisia sem limites e o servilismo patético deste ser e da Comissão Europeia. Esta senhora e os seus acólitos, que há anos se pavoneiam como defensores da “ordem baseada em regras” e dos “valores europeus”, agora aceitam alegremente o fim dessa mesma ordem precisamente quando ela deixa de lhes ser conveniente. Porque a verdade é esta, nua e crua: a democracia da União Europeia, nas mãos desta gente sem credibilidade nem escrúpulos, transformou-se numa farsa totalitária, ditada ao milímetro pelo consenso imposto por Washington e pelos humores volúveis dos seus chefes. Com o servilismo endémico e nauseabundo dos media mainstream e a horda de idiotas úteis completamente alienados pelas narrativa...

Adeus, Europa

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A Europa mergulhou numa profunda decadência económica, social, moral e ética. Este declínio não é um acidente histórico, mas o resultado direto de décadas de políticas neoliberais, implementadas, ironicamente, por muitas das forças políticas que outrora se apresentavam como guardiãs da social-democracia. A esta realidade soma-se um servilismo crónico ao império americano. O legado do pós-guerra, assente no Estado Social e na dignidade do trabalho, foi traído, esvaziado de conteúdo e transformado num mero instrumento da globalização predatória, ao serviço da alta finança e das corporações transnacionais. A Europa de hoje (Portugal incluído) encontra-se entregue a ignorantes, traidores, manipuladores, oportunistas e lacaios; indivíduos sem qualquer capacidade de liderança. Também por isso, temos uma população amorfa, adormecida e alienada, uma massa inerte que assiste passivamente ao seu próprio declínio, sem revolta, sem mobilização coletiva e sem qualquer reação. A pandemia, a guerra n...

A Era da Desinformação Institucionalizada

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Não há fundo que ampare a desinformação. A comunicação social, por definição, deveria ser um pilar da democracia, alicerçada na busca da verdade, na verificação rigorosa dos factos e na distinção clara entre informação e opinião. O seu dever é defender a imparcialidade e o pluralismo, assegurando uma representação justa da diversidade social, política, cultural e regional do país. Deve atuar com transparência, responsabilidade e respeito pelos direitos humanos, promovendo o interesse público acima de qualquer influência política ou económica. O compromisso inalienável da comunicação social é com a ética, a integridade e o direito dos cidadãos a uma informação livre, credível e acessível. O que observamos hoje na comunicação social generalista, porém, é o retrato fiel do incumprimento sistemático deste desígnio. O desequilíbrio opinativo é gritante. Quando a lente se volta para a informação internacional, a credibilidade esfuma-se; no plano da geopolítica, o escândalo atinge o seu expoe...