Adeus, Europa
A Europa
mergulhou numa profunda decadência económica, social, moral e ética. Este
declínio não é um acidente histórico, mas o resultado direto de décadas de
políticas neoliberais, implementadas, ironicamente, por muitas das forças
políticas que outrora se apresentavam como guardiãs da social-democracia. A
esta realidade soma-se um servilismo crónico ao império americano. O legado do
pós-guerra, assente no Estado Social e na dignidade do trabalho, foi traído,
esvaziado de conteúdo e transformado num mero instrumento da globalização
predatória, ao serviço da alta finança e das corporações transnacionais.
A Europa
de hoje (Portugal incluído) encontra-se entregue a ignorantes, traidores, manipuladores,
oportunistas e lacaios; indivíduos sem qualquer capacidade de liderança. Também
por isso, temos uma população amorfa, adormecida e alienada, uma massa inerte
que assiste passivamente ao seu próprio declínio, sem revolta, sem mobilização
coletiva e sem qualquer reação.
A
pandemia, a guerra na Ucrânia e o genocídio em curso na Palestina expuseram a
gritante falência moral das lideranças europeias. A resposta foi a de sempre:
defender o status quo e os interesses das transnacionais, mantendo um
alinhamento acrítico com a estratégia imperial dos Estados Unidos.
O papel
dos media mainstream tem sido fundamental nesta degradação. Nada disto seria
possível sem o seu silêncio cúmplice ou a sua colaboração ativa. Ao abdicarem
da função de vigilância democrática, estes meios — maioritariamente detidos por
conglomerados económicos — transformaram-se em aparelhos de propaganda. Durante
décadas, promoveram a narrativa de que o neoliberalismo era a única via
possível, rotulando qualquer alternativa como "radical" ou
"irresponsável". Ignoraram os efeitos devastadores da
financeirização, celebraram a austeridade como uma virtude e marginalizaram as
vozes críticas, contribuindo para aniquilar o pensamento à esquerda. Estiveram,
e estão, sempre ao lado da NATO, branqueando crimes e servindo de cúmplices ao
regime sionista no genocídio, nas ocupações e no roubo de terras que fustigam o
Médio Oriente há décadas.
Não
podemos poupar os comentadores de serviço, esses arautos do sistema que, dos
seus púlpitos televisivos, ecoam as narrativas dominantes com uma subserviência
patética. São os guardiães intelectuais do regime, pagos para perpetuar a
ilusão de debate enquanto sufocam o verdadeiro escrutínio.
Pior
ainda é a inação da sociedade civil. Onde estão os intelectuais, outrora vozes
da consciência coletiva, agora silenciados pelo conforto académico ou pelo medo
do ostracismo? Onde estão os artistas, que deveriam desafiar o poder, mas
preferem alinhar-se com elites do sistema? Esta apatia generalizada é o veneno
que acelera o declínio.
As elites dirigentes, incapazes de lidar com o caos que ajudaram a criar, tentam agora arrastar novamente os europeus para a guerra. Para já, assistimos a uma propaganda incessante para preparar as mentes, enquanto se afina a máquina de guerra à custa do sacrifício dos cidadãos comuns, que verão os serviços sociais ainda mais esventrados. Depois, devidamente protegidos os seus interesses, enviarão os filhos do povo para a morte em nome de agendas alheias aos valores humanistas.
Entretanto,
o império americano, alinhado com Israel, iniciou uma nova ofensiva militar
contra o Irão, resultando na morte de líderes e de centenas de civis, entre os
quais crianças. O bombardeamento de uma escola, que vitimou mais de 100
crianças, é um facto comprovado, embora frequentemente negligenciado ou
omitido. De resto, a destruição e o caos parecem ser o resultado sistemático
desta aliança, que atua quase sem oposição. Em contrapartida, a maioria dos
líderes europeus apressou-se a demonstrar subserviência, apoiada por uma
comunicação social tendenciosa. É desoladora a falta de conhecimento de líderes
e comentadores sobre o Irão ao tentarem justificar a sua cumplicidade.
E mais:
o facto de o bombardeamento deliberado de uma escola no Irão, que assassinou
mais de 100 crianças inocentes, não merecer a mais profunda e veemente
condenação das elites, dos media, dos comentadores, dos intelectuais e de todos
aqueles que sempre enchem a boca com direitos humanos e democracia, é mais uma
demonstração clara e irrefutável da falência moral absoluta da Europa de hoje.
Este é o
toque de finados da Europa dos valores humanistas e do bem-estar social. Uma
Europa que se rendeu ao cinismo e à mais vil vassalagem, traindo o seu legado
mais nobre. Adeus, Europa — que o teu declínio inexorável ecoe como um alerta
sombrio para aqueles que ainda ousam sonhar com uma autêntica ressurreição.

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