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A mostrar mensagens de abril, 2026

Não Há Debate Possível

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Pacheco Pereira, um dos raros intelectuais portugueses que, mesmo quando discordamos de muitas das suas posições, merece o nosso mais profundo respeito pela rigorosa capacidade de análise, pela honestidade intelectual e pelo domínio sereno da história política portuguesa, decidiu desafiar o líder da extrema-direita para um debate televisivo. O pretexto foi uma afirmação histórica claramente falsa e provocatória: a de que “pouco tempo depois do 25 de Abril havia mais presos políticos do que antes de 1974”. O desafio surpreendeu muitos. E o resultado, infelizmente, confirmou o pior cenário possível: o debate transformou-se num desastre retórico, histórico e ético. Não por falta de preparação, de argumentos ou de dossiers por parte de Pacheco Pereira — que, como sempre, dominou o terreno com precisão cirúrgica. O problema é mais profundo e estrutural: não é possível debater com a extrema-direita. Porque a extrema-direita não debate. Ela não aceita o debate como instrumento de procura da v...

O Ocaso da Civilização: O Império Decadente, o Seu Protegido Sanguinário e o Abismo Ético do Nosso Tempo

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Não vivemos um mero ciclo de crise: assistimos à metástase moral galopante da modernidade. Se a década de 1930 foi o prelúdio sombrio do horror, a nossa era é o seu espelho deformado e grotesco — um tempo em que a barbárie já não se esconde nas sombras, mas se exibe em alta definição, se consome em tempo real e se integra no quotidiano com a mais cínica naturalidade. O que outrora foi o “silêncio cúmplice” das democracias liberais transformou-se na forma mais perversa e repugnante de participação: a normalização ativa, entusiástica e militante da violência mais desumana. O obscurantismo contemporâneo não nasce da ignorância, mas de uma indiferença fria, calculada e deliberadamente cultivada. Décadas de neoliberalismo selvagem não se limitaram a reorganizar economias: reprogramaram consciências, fragmentaram o tecido social até ao osso, dissolveram o sentido de comunidade e reduziram o cidadão a uma mera unidade de cálculo egoísta, incapaz de reconhecer no outro um igual, um ser humano....