Os telejornais portugueses: um desabafo reiterado

 



Os telejornais das televisões portuguesas transformaram-se em autênticas mistelas de notícias que causam asco e, cada vez mais, provocam náuseas. Estes vomitados noticiosos, que hoje ocupam mais de uma hora e, não raras vezes, uma hora e meia ou mais, são um amontoado desorganizado onde tudo cabe: desde a grande política à micropolítica; desde as grandes tragédias mundiais aos pequenos dramas domésticos; desde a fofoca internacional até à bisbilhotice local; desde a publicidade disfarçada até à declarada, passando pela telenovela das 10… tudo misturado sem critério ou ordem, num lixo informativo em doses industriais que nada acrescentam, mas contribuem, e muito, para a agonia do jornalismo sério e competente.

Quando o assunto é considerado relevante, pelo menos na opinião dos chefes de redação, que se copiam uns aos outros, é explorado até à exaustão. Diretos que nada informam, comentários de comentadores de serviço (muitas vezes propositadamente misturados com o corpo da notícia, confundindo o espectador incauto, que não distingue opinião do facto) e, claro, o inevitável especialista, sempre presente para explicar ao telespectador o que "realmente" se está a passar.

Se o tema é futebol, então tudo o resto é subvalorizado, incluindo a pandemia de COVID-19. Basta que um treinador de um dos grandes clubes grite no balneário para que o telejornal se transforme num festival de banalidades, com dezenas de minutos dedicados a trivialidades que enchem o tempo até à náusea.

Quanto ao grafismo dos telejornais, o cenário é igualmente nauseante: ecrãs divididos com informações gráficas sobrepostas; num canto superior, um retângulo com a imagem do interveniente do momento; legendas que se acumulam e confundem; e, em fundo, uma sequência de imagens repetidas a cada dez ou vinte segundos. Que asco!

Todo este espetáculo tem um único objetivo: o entretenimento alienante do espectador. O rigor informativo, que deveria ser o propósito central de um serviço noticioso, fica relegado para segundo ou terceiro plano. Em vez disso, opta-se pelo sensacionalismo: notícias com música dramática de fundo, imagens rebuscadas e outras barbaridades que transformam o jornalismo num circo mediático.

É triste constatar que, em vez de informar, os telejornais portugueses contribuem para a desinformação e para a banalização do que deveria ser um serviço público essencial. Melhor seria acabar com este circo, mas, enquanto isso não acontece, resta-nos desligar a televisão e procurar fontes mais sérias e credíveis.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O linchamento de Mariana Mortágua é o espelho da intolerância

O Eclipse da Humanidade: O Genocídio em Gaza e o Presságio da Nossa Própria Queda

Indignai-vos, porra!