Como Votar Contra Si Próprio: Guia Prático


Aproximam-se as eleições legislativas, e por isso deixo desde já a minha declaração de interesses.

Jamais votarei em trafulhas, vigaristas, motosserristas disfarçados, fascistas de ocasião ou traidores que, com a maior das latas, traem descaradamente tudo aquilo que proclamam defender. Mas não me iludo: serão eles os vencedores. E vencerão porque sabem cavalgar a onda que os empurra para cima — uma onda que ajudaram, aliás, a agitar com mestria.

Sei de gente entusiasmada por votar nesses arautos da salvação que prometem baixar os impostos… dos mais ricos, evidentemente. Impostos esses que, ironicamente, financiam os serviços públicos dos quais essa mesma gente depende todos os dias. Sei também de almas crentes que votarão nos apóstolos da privatização, esses que juram querer "menos Estado", mesmo quando a própria vida depende — e muito — da existência do Estado que querem desmantelar.

Conheço trabalhadores precários, sem rede nem direitos, ao serviço das grandes corporações, prontos a votar em quem sempre defendeu, sem pudor, os interesses dessas mesmas corporações. E a lista não acaba aqui: há exemplos em catadupa, tão absurdos quanto reveladores.

Por isso, desde já, os meus calorosos parabéns a todos os que, com zelo e convicção, vão ajudar a construir essa retumbante vitória.

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