Eurovisão: o festival da hipocrisia cúmplice com o genocídio

O Festival da Eurovisão, outrora símbolo de união cultural entre povos europeus, tornou-se hoje uma farsa grotesca. Uma montra cínica de “diversidade” e “inclusão” que, na prática, serve de plataforma de branqueamento para um regime colonial, racista e genocida: o Estado sionista de Israel.

Enquanto em Gaza se contam corpos de crianças, enquanto hospitais são destruídos e populações inteiras são reduzidas a escombros, a Eurovisão oferece palcos, luzes e aplausos a representantes de um Estado que todos os dias comete crimes de guerra. Como é possível? Que moral tem a organização deste festival para falar de “valores europeus” enquanto dá cobertura cultural a um regime que despreza o direito internacional e os princípios básicos da humanidade?

Israel não devia ter lugar neste festival. E, no entanto, não só participa, como é tratado como um membro de pleno direito, como se fosse apenas mais um país democrático e pacífico. Esta “normalização” é, em si mesma, um acto de violência simbólica contra o povo palestiniano. É dizer, com todas as letras: os vossos assassinos têm lugar à mesa da civilização europeia, vocês não.

É absolutamente repugnante ver a organização da Eurovisão fingir que a música está acima da política, quando ela própria toma uma posição política ao aceitar Israel enquanto recusa, por exemplo, a Rússia. Dois pesos, duas medidas. Quando o agressor é um aliado estratégico do Ocidente, fecha-se os olhos ao sangue e enfeita-se o palco.

E Portugal? Que faz Portugal? Nada. Participa, aplaude, transmite, finge neutralidade. A RTP, como canal público, deveria prestar contas à consciência coletiva dos portugueses. Mas alinha com a narrativa oficial, ignorando o sofrimento palestiniano, apagando o contexto, silenciando vozes críticas. E mais, os portugueses deram pontuação máxima aos israelitas. Que vergonha!

Não é apenas uma questão cultural. É uma questão moral. A Eurovisão, tal como está hoje, é cúmplice. É parte da maquinaria de branqueamento do apartheid israelita. Não se pode celebrar a “diversidade” enquanto se tolera e promove um Estado que pratica a limpeza étnica.

Chega de palcos para genocidas. Chega de palminhas a regimes que bombardeiam escolas e matam civis com impunidade. A Eurovisão perdeu toda a legitimidade moral ao escolher entre os mortos e os assassinos — e escolher os assassinos.

A participação de Israel no Festival da Eurovisão não é apenas ofensiva. É obscena. E todos os que a permitem, a organizam, a transmitem ou aplaudem, incluindo Portugal, são cúmplices. A cultura que pactua com o genocídio é propaganda. E a arte que se cala diante do massacre, é conivente.

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O linchamento de Mariana Mortágua é o espelho da intolerância

O Eclipse da Humanidade: O Genocídio em Gaza e o Presságio da Nossa Própria Queda

Indignai-vos, porra!