Democracias de Sangue e Mentira
O Estado sionista, racista, terrorista e genocida de Israel
voltou a agir com impunidade total, lançando um ataque contra o Irão que
resultou no assassinato de dezenas de pessoas, entre elas crianças. Fê-lo, como
sempre, com o beneplácito do império estadunidense — cúmplice estrutural e
histórico das atrocidades israelitas — e com a submissão vergonhosa da Europa,
incluindo a classe política portuguesa, todos ajoelhados perante os interesses
geoestratégicos e económicos que valem mais do que qualquer vida humana
não-ocidental.
Mais uma vez, o argumento gasto de “Israel tem direito a
defender-se” foi brandido com desfaçatez, mesmo quando foi o próprio Israel a
iniciar uma agressão sem provocação. Este padrão de inversão moral tornou-se
rotina. E a engrenagem que sustenta esta mentira é, sem dúvida, a máquina de
propaganda mais eficaz do nosso tempo: os media mainstream.
A manipulação mediática é hoje uma ameaça real à democracia
e à liberdade. Estes meios — que deveriam informar, escrutinar o poder e
proteger os cidadãos da desinformação — tornaram-se em megafones dos poderosos,
repetindo acriticamente a narrativa oficial, ocultando contextos, silenciando
vozes dissidentes e humanizando apenas as vítimas do “lado certo”. O seu papel
deixou de ser o de informar para passar a ser o de moldar a perceção pública em
favor de interesses geopolíticos, económicos e ideológicos específicos.
Quando o Irão respondeu ao ataque israelita, os mesmos meios
que ignoraram ou suavizaram a agressão cometida por Israel, entraram em modo de
histeria coletiva: manchetes gritantes, condenações em bloco, linguagem emotiva
cuidadosamente escolhida para gerar repulsa contra o Irão, enquanto continuam a
esconder — ou justificar — os crimes de guerra cometidos por Israel todos os dias.
O desequilíbrio, a parcialidade e a desonestidade intelectual são tão
flagrantes que já não se trata apenas de má prática jornalística, mas de
cumplicidade ativa com a guerra e a opressão.
Este jornalismo degradado não só perpetua a violência como
sufoca a consciência crítica das sociedades. Um povo mal-informado é um povo
vulnerável, facilmente manipulável, incapaz de questionar, de resistir ou de
exigir responsabilidade. A democracia deixa de ser real quando os cidadãos
vivem dentro de uma bolha narrativa fabricada para manter o status quo.
Estamos, portanto, perante uma crise de civilização: um
Ocidente moralmente falido, que defende “valores” enquanto os destrói; que fala
em direitos humanos enquanto financia e protege quem os espezinha; que se diz
livre, mas vive cada vez mais subjugado por uma propaganda que anestesia,
distorce e cala.
Denunciar esta hipocrisia, recusar esta manipulação, é hoje
um ato de resistência ética e política. Porque sem verdade, não há liberdade. E
sem liberdade, não há democracia digna desse nome.

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