A Desilusão de um ingénuo
Sempre acreditei, com uma ingenuidade quase infantil, que o
Holocausto nazi não teria acontecido se as pessoas decentes, os líderes
decentes, tivessem sabido o que se passava. Pensava que a humanidade,
confrontada com tal horror, ergueria um grito de revolta capaz de abalar o
mundo.
Que ingénuo fui. A humanidade não aprendeu nada. Não há
indignação que resista ao pragmatismo político, não há compaixão que sobreviva
ao medo de perder privilégios. O genocídio de hoje é filmado, documentado,
escancarado e ainda assim, a máquina do mundo gira, indiferente.
Afinal, o problema não era a falta de informação. O problema
é a humanidade mesma. Um desastre ambulante, uma espécie incapaz de proteger os
seus, de erguer-se contra a barbárie quando esta veste as roupas certas e fala
as palavras aceitáveis.
Restam-me as cinzas da desilusão. E a certeza de que, se um
dia a História nos julgar, seremos todos cúmplices.

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