Toda a gente sabe. Toda a gente tem conhecimento.
O Estado de Israel, governado por um regime fascista, racista, criminoso e genocida, está a cometer o maior e mais hediondo crime contra a humanidade desde a Segunda Guerra Mundial. E este crime é cometido com a cumplicidade ativa de muitos e o silêncio cúmplice de quase todos.
Não existe ignorância inocente. Não existe “neutralidade” possível.
A omissão, neste contexto, é colaboração.
Nenhum órgão de comunicação social poderá, no futuro, afirmar em
consciência que não sabia.
Nenhum jornalista poderá, no futuro, afirmar em consciência que não sabia.
Nenhum comentador, analista ou influenciador poderá, no futuro, afirmar em consciência
que não sabia.
Nenhum líder europeu — atual ou das últimas décadas — poderá, em consciência,
afirmar no futuro que não sabia.
Nenhum eleito local, nacional ou europeu poderá, no futuro, afirmar em
consciência que não sabia.
Nenhum israelita poderá, em consciência, afirmar no futuro que não sabia.
Em Portugal, não me esqueço — e não esquecerei — dos que se refugiaram em
frases calculadas para não incomodar os aliados e os negócios.
O Primeiro-Ministro, que prefere fórmulas diplomáticas à condenação
inequívoca de um massacre, não poderá dizer que não sabia.
O Presidente da República, que se orgulha de uma pretensa equidistância
como se esta fosse virtude, não poderá dizer que não sabia.
Os deputados eleitos, de todos os partidos, que recusam nomear o
genocídio pelo que é, não poderão dizer que não sabiam.
Os líderes locais que se calam, as câmaras municipais que mantêm
relações institucionais com representantes do regime genocida, não poderão
dizer que não sabiam.
E não é só Portugal.
As capitais europeias estão manchadas pelo sangue que fingem não ver.
Governos que vendem armas a Israel.
Parlamentos que fecham os olhos às resoluções de condenação.
Presidentes que discursam sobre direitos humanos enquanto apertam a mão de
criminosos de guerra.
Quando o extermínio do povo palestiniano for finalmente reconhecido como
aquilo que é — o maior crime contra a humanidade desde a Segunda Guerra Mundial
—, a História registará com vergonha esta cumplicidade. Registará o silêncio e
a covardia de uma Europa que preferiu a conveniência à justiça, o comércio à
dignidade, o medo à verdade.
Não há desculpas.
O silêncio é escolha.
A escolha é cúmplice.
E cada pessoa que cala, sabendo, carrega consigo uma parte da
responsabilidade.
A História não absolverá quem, podendo falar, se calou.
A História não absolverá quem, podendo agir, ficou imóvel.
Eu não me calo.
E não esquecerei quem se calou.

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