O Silêncio Cúmplice das Elites e o Sarcasmo das Massas
Estamos a
viver um dos capítulos mais negros da história recente da humanidade. Israel
perpetra diante dos nossos olhos um genocídio sistemático contra o povo
palestiniano, e o mundo não apenas cala: aplaude, justifica, normaliza. As
elites políticas, as cúpulas económicas, as figuras públicas ditas
“iluminadas”, todas essas vozes que se erguem em nome dos direitos humanos
quando lhes convém, estão agora ajoelhadas, cúmplices, cúmplices até à medula.
Uns pela cobardia, outros pelo cálculo frio, todos pela servidão a interesses
que valem mais do que a vida humana. São hipócritas profissionais,
especialistas em transformar cadáveres em estatísticas e crimes em eufemismos.
Os media são
a máquina de lavagem deste sangue. Um exército de editores e pivôs, travestidos
de jornalistas, manipula cada palavra, escolhe cada imagem, constrói cada
narrativa para anestesiar consciências. Chama-se “conflito” ao massacre,
“defesa” ao genocídio, “danos colaterais” às crianças desmembradas. A mentira
tornou-se rotina, a propaganda, ciência. Não informam: domesticam. Não
explicam: apagam. São cúmplices não apenas pelo que dizem, mas sobretudo pelo
que calam.
Mas o que
mais enoja, o que mais revolta, o que mais arranca do estômago um vómito moral,
é a reação das massas. A populaça das redes sociais, essa turba de ignorantes
arrogantes, de opinadores sem escrúpulos, de zombeteiros sádicos, não se limita
a repetir a propaganda: diverte-se com ela. Ri-se dos mortos, troça das
crianças, transforma a dor em meme. É a barbárie em estado puro, a
desumanização erigida em espetáculo.
E a
ignorância não é desculpa. É verdade que muitos nunca leram uma página de
história, que só se “informam” através dos soundbites
da televisão ou das publicações fabricadas no algoritmo. Mas quando alguém
ri da morte de uma criança, não é ignorância: é cumplicidade. Quando alguém
justifica o bombardeamento de hospitais com sarcasmo, não é desinformação: é
perversidade. O riso perante o sofrimento é a mais baixa forma de colaboração
com o opressor.
E assim se
revela o verdadeiro horror do nosso tempo: não apenas o genocídio cometido em
Gaza, mas a monstruosa normalização desse genocídio pelo riso, pela
indiferença, pela apatia criminosa. As elites traem, os media mentem, e a
populaça aplaude ou gargalha. É a consagração da banalidade do mal em versão
digital, distribuída em likes,
partilhas e emojis.
O maior
crime contra a humanidade desde a Segunda Guerra Mundial não se escreve apenas
em bombas lançadas e sangue derramado: escreve-se também na indiferença
cúmplice das massas que, perante o sofrimento, não gritam, não choram, não se
revoltam, mas riem.

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