Israel e o Mito do “Direito à Defesa”
A História que o Discurso Oficial Apaga
Direito Internacional e Ocupação
Mais
recentemente, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), no seu parecer
consultivo de julho de 2024, reiterou que a presença e as políticas de
Israel nos territórios ocupados violam o direito internacional e configuram um
regime de apartheid e colonização.
A Quarta
Convenção de Genebra, no seu artigo 49.º, proíbe expressamente que uma
potência ocupante transfira parte da sua população para o território ocupado —
exatamente o que Israel faz há décadas, promovendo colonatos e expulsando
palestinianos das suas terras.
A isto
somam-se inúmeros relatórios das Nações Unidas, de organizações humanitárias e
de direitos humanos, que documentam assassinatos, detenções arbitrárias,
tortura, destruição sistemática de infraestruturas civis e práticas de castigo
coletivo.
Exemplos Concretos dos Crimes Israelitas
Organizações
como a UNICEF e a ONU Direitos Humanos (OHCHR) denunciaram dezenas
de milhares de violações graves contra crianças — mortes, ferimentos, ataques a
escolas e negação de acesso a cuidados médicos.
Relatórios
da Amnistia Internacional e da Human Rights Watch já tinham
anteriormente classificado o regime israelita como apartheid, com base
na discriminação sistemática entre judeus e palestinianos, nas restrições de
movimento, e na negação de direitos políticos e civis.
Autodefesa ou Colonização?
A lógica da
“defesa de Israel” ignora que a violência israelita não é resposta defensiva,
mas agressão. A ocupação, o bloqueio, a repressão, os assassinatos seletivos e
os bombardeamentos fazem parte de um sistema contínuo de dominação colonial.
A autodefesa
legítima só existe quando se respeitam os princípios da proporcionalidade,
da distinção entre civis e combatentes e da necessidade militar,
princípios que Israel viola de forma sistemática.
A destruição
quase total de Gaza, com dezenas de milhares de mortos civis, o extermínio de famílias
inteiras e o impedimento deliberado da ajuda humanitária não são defesa. São
crimes de guerra, é genocídio.
O Papel dos Media e das Elites Ocidentais
A Mudança de Perceção e a Pressão das Ruas
Durante
décadas, a propaganda sionista beneficiou de um consenso quase total entre as
elites políticas e mediáticas ocidentais.
O discurso dominante,
que retratava Israel como a “única democracia do Médio Oriente”, uma vítima
permanente e bastião da civilização ocidental, foi aceite sem contestação pela
maioria da opinião pública.
Mas essa
imagem não passa de uma falácia cuidadosamente construída: Israel não é uma
democracia plena, tal como a África do Sul do apartheid também não o foi. Ambos
os regimes partilham a mesma lógica de segregação, discriminação institucional
e exclusão de uma parte significativa da população com base na origem étnica e
religiosa.
Mas esse
consenso começou a ruir, as imagens de Gaza em ruínas, os relatos de crianças
mortas, hospitais destruídos, jornalistas assassinados e civis famintos romperam
o cerco da propaganda. A realidade tornou-se demasiado evidente para ser
negada.
O debate
sobre o apartheid israelita entrou nas universidades, nas assembleias, nas
redações e nas plataformas digitais e já não pode ser silenciado.
Cada vez
mais pessoas, informadas pelas redes sociais, pelo jornalismo independente e
por académicos críticos, reconhecem Israel pelo que de facto é: uma potência
ocupante, colonial e racista, cuja política de dominação nega sistematicamente
os direitos fundamentais do povo palestiniano.
Vozes que Desmontam a Propaganda
Historiadores,
jornalistas e académicos israelitas e internacionais têm vindo a denunciar esta
manipulação da narrativa.
Ilan Pappé, no seu trabalho “A Limpeza
Étnica da Palestina”, demonstra como a fundação de Israel implicou um plano
deliberado de expulsão dos palestinianos — um processo que continua sob novas
formas.
Norman
Finkelstein, em diversas
intervenções, mostra como as ofensivas israelitas contra Gaza foram desproporcionais
e deliberadamente cruéis, violando todas as normas de guerra.
Alexandra
Lucas Coelho, jornalista
portuguesa, tem denunciado de forma consistente o apartheid e a manipulação
mediática sobre a Palestina, lembrando que o “direito à defesa” não pode
justificar o massacre de um povo.
Ariel
Umpierrez e Breno
Altman também têm desmontado o discurso hegemónico, sublinhando que o
sionismo não é uma ideologia de libertação, mas de dominação e exclusão.
Conclusão: A Verdade por Trás da Frase Feita
A justiça e
a paz só serão possíveis quando o mundo abandonar a hipocrisia e reconhecer o
que há muito é evidente: Israel não está a defender-se. Está a perpetuar uma
ocupação colonial!
Referências
- Ilan Pappé — Israel vs.
Palestina – a Mais Breve História do Conflito (Ideias de Ler, 2025).
- Norman Finkelstein — artigos
na internet e vídeos do YouTube.
- Alexandra Lucas Coelho —
artigos sobre Palestina em Público, Expresso e Gaza Está
em Toda a Parte (Editorial Caminho, 2025).
- Ariel Umpierrez — artigos na
internet e vídeos no seu canal no YouTube.
- Breno Altman — análises em Ópera
Mundi.
- Relatório da ONU (2024) —
Comissão Internacional Independente sobre os Territórios Palestinianos
Ocupados.
- Tribunal Internacional de
Justiça (2024) — Parecer Consultivo sobre os Assentamentos e Ocupação
Israelita.
- Resolução 2334 do Conselho de
Segurança da ONU (2016).
- Amnistia Internacional — Israel’s
Apartheid Against Palestinians: Cruel System of Domination and Crime
Against Humanity (2022).
- Human Rights Watch — A
Threshold Crossed: Israeli Authorities and the Crimes of Apartheid and
Persecution (2021).
- Arlene Clemesha — artigos na internet e vídeos no YouTube.

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