Neoliberal, Trapaceiro, Hipócrita e Criminoso e Reacionário


Neoliberal

O governo de Montenegro é, na sua essência, a expressão crua e disciplinada do neoliberalismo que domina a Europa há décadas. Defende uma economia entregue aos mercados financeiros, serviços públicos reduzidos e privatizados, trabalhadores descartáveis e direitos laborais vistos como entraves ao “progresso”. A cartilha é sempre a mesma: privatizar o que resta do setor público, liberalizar capitais para benefício da banca e dos grandes grupos económicos, e impor um mercado de trabalho frágil, onde a precariedade se torna norma e a estabilidade, exceção. A saúde deve ser paga por quem pode pagar; a escola pública é reduzida a uma escapatória para os pobres; a proteção social resume-se à esmola mínima para evitar revoltas. Acredita-se cegamente na autorregulação dos mercados, como se não fosse justamente essa fé dogmática que tem levado crises a destruir vidas por toda a Europa. O Estado, neste modelo, existe apenas para salvar bancos e garantir lucros privados, nunca para proteger quem trabalha.

Trapaceiro

É também um governo trapaceiro porque esconde deliberadamente o verdadeiro conteúdo das suas políticas. Apresenta reformas laborais profundamente reacionárias como se fossem inevitáveis, modernas e progressistas, mascarando o objetivo real: fragilizar o poder dos trabalhadores, reduzir salários indiretos, criar condições para subserviência no local de trabalho. As promessas são lançadas ao ar como migalhas — sempre vagas, sempre adiadas — enquanto as medidas concretas vão no sentido oposto do discurso. A manipulação atinge o auge quando o governo apregoa “diálogo social” ao mesmo tempo que promove campanhas propagandísticas contra as greves, acusando trabalhadores de bloquearem o país sempre que se atrevem a defender direitos. Fala em liberdade, mas quer impor serviços mínimos universais para esvaziar a greve de sentido. Ataca sindicatos, acusa-os de agitação e irresponsabilidade, enquanto oferece sempre mão aberta ao grande capital. Tudo isto é embrulhado numa narrativa melosa, onde o primeiro-ministro surge como uma figura moderada, quase inofensiva, um “cordeirinho” disfarçado que utiliza a falsa moderação como truque para impor políticas duríssimas.

Hipócrita e criminoso nas políticas internacionais

No plano internacional, a hipocrisia torna-se estratégia de Estado. O governo mantém um apoio mais ou menos camuflado às ações de Israel, fechando os olhos aos crimes cometidos contra o povo palestino em Gaza e na Cisjordânia, sendo cúmplice do mais bárbaro crime contra a humanidade desde a Segunda Guerra Mundial: o genocídio cometido por Israel contra os palestinos. Condena uns crimes, mas silencia perante outros. Indigna-se com violações de direitos humanos quando isso serve aos interesses da NATO ou da UE, mas esquece subitamente desses mesmos valores quando o agressor é um aliado estratégico. A complacência atinge o cúmulo quando a política externa se alinha, sem debate público, com o belicismo europeu que empurra o continente para um confronto cada vez mais aberto com a Rússia. Enquanto isso, mantém um silêncio completo, cúmplice e conveniente, perante as agressões económicas e as ameaças militares dos EUA contra a Venezuela, cuja soberania é tratada como descartável. Para uns, a solidariedade é infinita e os cofres estão sempre abertos; para outros, vigoram sanções, desestabilização e fantasmas de intervenção militar. É esta duplicidade que revela o caráter criminoso e profundamente hipócrita da política externa do governo.

Reacionário e cada vez mais próximo da extrema-direita

A deriva reacionária do governo é visível na postura sobre imigração, no discurso securitário crescente e no uso político do medo. Fala-se em controlo, ordem e firmeza, mas o que se prepara é um Estado policial ajustado aos interesses dos de cima: mais vigilância sobre quem trabalha, mais repressão sobre quem protesta, mais armas e menos direitos. Os imigrantes são instrumentalizados como bode expiatório: ora são necessários para a economia, ora são problema social a ser domesticado. O governo ecoa e normaliza argumentos que a extrema-direita usava sozinha há poucos anos, deslocando o debate público para posições cada vez mais agressivas e desumanizantes. No plano interno, a combinação de austeridade encapotada, ataque ao direito à greve e criminalização subtil de movimentos sociais abre espaço para políticas autoritárias que ameaçam a própria democracia.

O papel cúmplice dos media mainstream

Tudo isto é sustentado por uma máquina mediática que, longe de escrutinar seriamente o poder, funciona como caixa de ressonância das suas narrativas. As reformas laborais são apresentadas como “necessárias”, os cortes como “responsáveis”, as greves como “radicais”, o desmantelamento do Estado social como “modernização”. A política externa é tratada com silêncio estratégico: calam-se as agressões dos EUA à Venezuela, amplificam-se sem crítica as operações da NATO, repetem-se mantras de apoio a governos alinhados com o Ocidente e, o mais grave, foram e são cúmplices — tal como o governo — do genocídio que Israel pratica contra os palestinianos. Assim se constrói consenso, assim se manipula a opinião pública, assim se protege um governo que governa para uma minoria privilegiada, enquanto a maioria é convidada a aceitar sacrifícios “inevitáveis”.

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