Ultraje
Como português e europeu, sinto-me profundamente
ultrajado pela postura pusilânime e conivente das nossas instituições.
Repugna-me a cumplicidade descarada daqueles que, em Lisboa ou Bruxelas,
branqueiam crimes do império com eufemismos diplomáticos ou silêncios
cúmplices. Causa-me asco profundo a estratégia deliberada de rotular como
"benevolente" ou "necessária" qualquer atrocidade cometida
pelo império, num servilismo miserável e criminoso que envergonha gerações
inteiras. Brada-se aos céus valores democráticos para sancionar e demonizar
certas nações – aquelas que ousam desafiar a hegemonia imperial –, enquanto se
justificam, minimizam ou silenciam crimes hediondos como este contra a
Venezuela. É uma hipocrisia tão gritante que até uma criança a deteta, uma
duplicidade de critérios que expõe a podridão moral no cerne das nossas
lideranças.
Essas elites corruptas e servis aos interesses do império,
que vendem a alma europeia por migalhas de poder ou alianças geopolíticas
tóxicas, estão a infligir à Europa e aos europeus uma destruição sistemática e
irreversível. Elas desmantelam, tijolo a tijolo, aquilo que, como cidadãos
europeus, acreditávamos ser o cerne da nossa identidade: os valores humanistas
da solidariedade, da equidade, da decência e da verdadeira democracia. Em vez
de defenderem a autonomia europeia, essas elites optam pela vassalagem,
alinhando-se cegamente com políticas imperiais que fomentam guerras,
instabilidade e desigualdades globais. A sua responsabilidade na decadência da
Europa é inegável e imperdoável: ao priorizarem o servilismo em detrimento da
soberania, elas pavimentam o caminho para soluções demagógicas perigosas e
criminosas. Populistas extremistas, demagogos autoritários e regimes
totalitários emergem precisamente nestes vácuos morais, explorando o
descontentamento popular com uma Europa que se revela cada vez mais como uma
casca vazia, traída pelas suas próprias elites.
Ou os povos europeus acordam e reagem coletivamente
contra esta traição flagrante, através de mobilizações cívicas, eleições
conscientes e pressão institucional, ou acordaremos todos, mais cedo do que
tarde, numa Europa despótica e totalitária, entregue a criminosos disfarçados
de salvadores, onde a liberdade será um eco distante e a dignidade humana, uma
relíquia do passado.
Não podemos ignorar, neste contexto de degradação, o
papel nefasto e central dos media mainstream, que atuam como amplificadores
propagandísticos do império e das elites cúmplices. Esses órgãos de
comunicação, outrora pilares da informação imparcial, normalizam crimes de uns
– os do império e dos seus aliados – com narrativas edulcoradas ou omissões
convenientes, enquanto denunciam crimes de outros de forma descarada, histérica
e seletiva. Manipulam a informação com maestria orwelliana, distorcendo factos,
omitindo contextos e amplificando mentiras para servir agendas ocultas. Criam
ou alimentam narrativas falsas – como a de "ditadores malévolos"
versus "intervenções humanitárias" – que moldam a opinião pública e
justificam agressões imperiais. Reproduzem de forma acrítica discursos
oficiais, sem questionar fontes, sem investigar contradições, sem dar voz a
perspetivas alternativas, transformando-se em meros repetidores de propaganda.
Essa duplicidade não é acidental; é uma ferramenta de controlo que erode a
confiança pública, fomenta a polarização e acelera a decadência democrática. Os
media mainstream, ao invés de iluminarem a verdade, mergulham a sociedade na
escuridão da desinformação, contribuindo diretamente para o ciclo vicioso que as
elites exploram para perpetuar o seu poder.
É imperativo que os cidadãos europeus rejeitem essa
máquina de manipulação, busquem fontes independentes e exijam responsabilidade,
sob pena de vermos a Europa sucumbir não só à servidão externa, mas à tirania interna.

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