Mensagens

Os telejornais portugueses: um desabafo reiterado

Imagem
  Os telejornais das televisões portuguesas transformaram-se em autênticas mistelas de notícias que causam asco e, cada vez mais, provocam náuseas. Estes vomitados noticiosos, que hoje ocupam mais de uma hora e, não raras vezes, uma hora e meia ou mais, são um amontoado desorganizado onde tudo cabe: desde a grande política à micropolítica; desde as grandes tragédias mundiais aos pequenos dramas domésticos; desde a fofoca internacional até à bisbilhotice local; desde a publicidade disfarçada até à declarada, passando pela telenovela das 10… tudo misturado sem critério ou ordem, num lixo informativo em doses industriais que nada acrescentam, mas contribuem, e muito, para a agonia do jornalismo sério e competente. Quando o assunto é considerado relevante, pelo menos na opinião dos chefes de redação, que se copiam uns aos outros, é explorado até à exaustão. Diretos que nada informam, comentários de comentadores de serviço (muitas vezes propositadamente misturados com o corpo da not...

O neoliberalismo em poucas palavras

Imagem
  O neoliberalismo assenta em ideias que colocam o indivíduo no centro, valorizando a individualidade acima de tudo. Baseia-se numa crença inabalável na competição como motor de progresso, na convicção dogmática de que o mercado livre se autorregula e num profundo ceticismo em relação ao Estado, visto como ineficiente e limitador das liberdades económicas. Na prática, estas ideias traduzem-se em políticas económicas que promovem a privatização de empresas públicas, a liberalização dos fluxos de capitais entre países, a desregulação do mercado de trabalho e dos sistemas financeiros, e a independência dos bancos centrais. Defende-se que os Estados devem financiar-se através dos mercados financeiros, em vez de recorrerem aos bancos centrais, e que os serviços públicos devem ser concessionados a privados, funcionando segundo a lógica de mercado e da concorrência. O neoliberalismo defende ainda que o risco deve ser suportado pelo indivíduo, que, através de seguros privados e sujei...

MEDO

Imagem
Na sociedade contemporânea da globalização neoliberal, das novas tecnologias, das grandes oligarquias nacionais e transnacionais, das agências de rating e dos sacrossantos mercados, impera o medo. Medo de perder o emprego, medo de perder a casa, medo do vizinho, medo do ucraniano, medo do cigano, medo do assaltante, medo do fisco, medo, acima de tudo, de ficar sem dinheiro. O medo tornou-se o novo paradigma opressor das sociedades hipercompetitivas actuais, pois inibe o indivíduo e paralisa o colectivo. Nesta era tecnológica e globalizada, onde parece que ninguém controla ninguém, as empresas deslocam-se em busca de mão-de-obra mais barata, tal como os capitais fogem para onde possam escapar ao escrutínio fiscal. A tecnologia, que permite produzir mais em menos tempo, em vez de libertar o trabalhador da servidão, torna-o ainda mais servil, pois este deixou de ser imprescindível para a reprodução do capital. Como consequência, nove em cada dez no...