Quando um Papa incomoda, o mundo responde com silêncio – até que morre...
Morreu o Papa Francisco. E, subitamente, multiplicam-se os elogios, os discursos emocionados, as homenagens sentidas. Líderes políticos que nunca o escutaram realmente fazem questão de enaltecer a sua figura. Meios de comunicação que sempre o trataram com desconfiança, quando não com sarcasmo, apresentam-no agora como um “Papa próximo do povo”, “revolucionário”, “humano”. A hipocrisia é, talvez, um dos traços mais constantes das elites políticas e mediáticas do nosso tempo. Francisco não foi um Papa cómodo. Pelo contrário, foi uma pedra no sapato das narrativas dominantes. Denunciou com firmeza a financeirização da economia, criticou duramente o sistema neoliberal, alertou para os perigos da desigualdade crescente e do desastre ambiental. Falou de paz quando o discurso oficial era o da guerra. Recusou o conformismo cúmplice com a indústria do armamento, com a xenofobia crescente, com a indiferença perante os pobres. Mas durante anos, esses mesmos grandes meios de comunicação social ...