O Protagonista que Não Quer Protagonismo


Passos Coelho, na sua enésima intervenção nos media mainstream, neste caso numa entrevista conduzida pela reacionária Maria João Avillez, reafirma sem pudor que não quer protagonismo e que está fora da vida política. No entanto, alega estar “preocupado com os portugueses” porque o seu PPD/PSD, no poder, não executa as “reformas” que deveria fazer, encontrando-se politicamente refém da minoria parlamentar. Segundo a sua visão, o partido deveria ter selado uma coligação com os fanáticos neoliberais da IL e com os fascistas do Chega, garantindo assim o suporte cego para aplicar a sua agenda.

Em suma: este ultraneoliberal desespera por medidas a que chama cinicamente de “reformas”, mas que não passam de mais dose do mesmo veneno privatizador e do desmantelamento definitivo do que resta do Estado Social.

É evidente que qualquer indivíduo tem o direito de defender e acreditar nas trafulhices ideológicas que bem entender. O que é verdadeiramente grave é que o faça em nome do suposto “bem-estar dos portugueses” e que os media lixo continuem a conceder-lhe um protagonismo absolutamente injustificado, sem um pingo de contraditório, tratando-o como se de um pensador incontornável da sociedade portuguesa se tratasse.

Passos Coelho não tem rigorosamente nenhuma visão aproveitável para a melhoria do país. É um neoliberal radical, um reacionário tacanho que ainda não percebeu que a decadência económica, social e moral de Portugal e da Europa não se resolve, nem sequer se atenua, com mais doses da mesma receita falhada. É incapaz de compreender que o vigente modelo socioeconómico não tem futuro, até porque não haverá recursos no planeta para o sustentar. Nada diz sobre o cataclismo ecoambiental que, diariamente, nos dá sinais claros de uma catástrofe iminente.

Passos Coelho é um ignorante, um idiota útil ao serviço dos grandes interesses que verdadeiramente controlam o país e o mundo, forças que se estão nas tintas para o bem-estar coletivo. Já não há a mínima paciência para aturar esta figura miúda que a comunicação social mainstream insiste em colocar num pedestal.

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