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A Caverna europeia

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O equívoco dos europeus é pensarem que as direitas trumpistas, truculentas, fascistas, xenófobas, hipócritas, reacionárias e demagógicas resolverão algum dos problemas da Europa de hoje. Não, não resolverão qualquer problema, porque todas elas são cúmplices do “status quo” e jamais atacarão o neoliberalismo e a financeirização que estrutura desde há décadas a Europa e que a levou à profunda decadência económica, social e moral, que a pandemia, a guerra da Ucrânia e o genocídio dos palestinianos em Gaza, pôs a claro para quem quiser ver. De facto, os atuais poderes europeus, totalmente servis dos interesses estadunidenses, perderam todo o sentido de realidade, de serenidade, de responsabilidade e credibilidade. É uma hecatombe moral sem precedentes, que está a acelerar a decadência da Europa, mas o antidoto para combater esta hecatombe não está nas direitas, tenham elas o rótulo que tiverem. Os povos europeus precisam de uma Europa pacifista, ecologista e mais solidária, virada para...

MAIS DESTA EUROPA NÃO!

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  A narrativa dominante insiste na extrema importância destas eleições europeias, alegando a necessidade de "mais Europa". No entanto, não nos enganemos: o que os povos da Europa precisam não é de  mais desta Europa , mas sim de  outra Europa . Uma Europa diferente, pacifista, ecologista e solidária, voltada para o bem-estar dos cidadãos; uma Europa que não seja servil aos interesses do império norte-americano e da sua máquina de guerra; uma Europa que não seja refém da alta finança e dos seus interesses obscuros; uma Europa que coloque ordem nas grandes corporações transnacionais, que dominam cada vez mais os povos como se fossem feudos modernos; uma Europa que não seja hipócrita, condenando e sancionando crimes de uns enquanto é conivente e cúmplice de genocídios e atrocidades cometidos por outros. Sim,  uma outra Europa é necessária , mas não será possível com os mesmos que a têm vindo a destruir, sustentados pelo modelo neoliberal que a estrutura há décadas. ...

O lamentável tratamento noticioso desta infame guerra

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  A pandemia já não existe, a vacinação já não tem qualquer importância, a seca desapareceu, a inflação é ignorada, a crise energética já não é relevante. Na verdade, nada mais parece existir além da guerra que trouxe tragédia ao povo ucraniano, ocupando duas horas ou mais dos telejornais das televisões generalistas portuguesas. No entanto, ao contrário do que seria desejável, a duração excessiva dos telejornais não se traduz em mais ou melhor informação. Pouco ficamos a saber sobre os motivos que desencadearam esta maldita guerra e, pior ainda, sobre o seu desenrolar. Hoje, sabemos pouco mais do que já sabíamos ontem. Além do tema monotemático que domina os noticiários, que pouco acrescenta ao nosso conhecimento, o pensamento monolítico e de sentido único é uma regra inquebrável. Para os telejornais e seus comentadores, a geopolítica e geoestratégia imperial e criminosa são práticas exclusivas do regime despótico de Putin. A superioridade moral do Ocidente (ou melhor, dos EUA)...

Os telejornais portugueses: um desabafo reiterado

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  Os telejornais das televisões portuguesas transformaram-se em autênticas mistelas de notícias que causam asco e, cada vez mais, provocam náuseas. Estes vomitados noticiosos, que hoje ocupam mais de uma hora e, não raras vezes, uma hora e meia ou mais, são um amontoado desorganizado onde tudo cabe: desde a grande política à micropolítica; desde as grandes tragédias mundiais aos pequenos dramas domésticos; desde a fofoca internacional até à bisbilhotice local; desde a publicidade disfarçada até à declarada, passando pela telenovela das 10… tudo misturado sem critério ou ordem, num lixo informativo em doses industriais que nada acrescentam, mas contribuem, e muito, para a agonia do jornalismo sério e competente. Quando o assunto é considerado relevante, pelo menos na opinião dos chefes de redação, que se copiam uns aos outros, é explorado até à exaustão. Diretos que nada informam, comentários de comentadores de serviço (muitas vezes propositadamente misturados com o corpo da not...

O neoliberalismo em poucas palavras

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  O neoliberalismo assenta em ideias que colocam o indivíduo no centro, valorizando a individualidade acima de tudo. Baseia-se numa crença inabalável na competição como motor de progresso, na convicção dogmática de que o mercado livre se autorregula e num profundo ceticismo em relação ao Estado, visto como ineficiente e limitador das liberdades económicas. Na prática, estas ideias traduzem-se em políticas económicas que promovem a privatização de empresas públicas, a liberalização dos fluxos de capitais entre países, a desregulação do mercado de trabalho e dos sistemas financeiros, e a independência dos bancos centrais. Defende-se que os Estados devem financiar-se através dos mercados financeiros, em vez de recorrerem aos bancos centrais, e que os serviços públicos devem ser concessionados a privados, funcionando segundo a lógica de mercado e da concorrência. O neoliberalismo defende ainda que o risco deve ser suportado pelo indivíduo, que, através de seguros privados e sujei...

MEDO

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Na sociedade contemporânea da globalização neoliberal, das novas tecnologias, das grandes oligarquias nacionais e transnacionais, das agências de rating e dos sacrossantos mercados, impera o medo. Medo de perder o emprego, medo de perder a casa, medo do vizinho, medo do ucraniano, medo do cigano, medo do assaltante, medo do fisco, medo, acima de tudo, de ficar sem dinheiro. O medo tornou-se o novo paradigma opressor das sociedades hipercompetitivas actuais, pois inibe o indivíduo e paralisa o colectivo. Nesta era tecnológica e globalizada, onde parece que ninguém controla ninguém, as empresas deslocam-se em busca de mão-de-obra mais barata, tal como os capitais fogem para onde possam escapar ao escrutínio fiscal. A tecnologia, que permite produzir mais em menos tempo, em vez de libertar o trabalhador da servidão, torna-o ainda mais servil, pois este deixou de ser imprescindível para a reprodução do capital. Como consequência, nove em cada dez no...