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O Milagre da Multiplicação dos Pães – Especial NATO Edition

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O Governo português, sempre pronto a baixar a cabeça aos patrões internacionais, comprometeu-se com a NATO a gastar 5% do PIB em despesas militares até 2035. Depois disso, esse valor passará a ser transferido anualmente com a mesma naturalidade com que se pagam as contas da luz. Entre tanques, drones e promessas de patriotismo, 3,5% irão para “defesa” (leia-se: alimentar a indústria bélica internacional) e 1,5% para “infraestruturas críticas” (barracões novos para os quartéis, talvez um parque de estacionamento blindado em Ovar). E, como não há festa sem fogo de artifício, no mesmo dia o Governo decidiu anunciar uma descida no IRS. Com direito a fanfarra, palmadinhas nas costas e muito ar de missão cumprida, só ao alcance do Eleitos. Esta brincadeira vai custar cerca de 500 milhões por ano, trocos, claro, quando comparado com os tais 13,9 mil milhões que se querem atirar todos os anos para o poço sem fundo do militarismo. Menos impostos, mais despesa armada, e segundo o Sr. Primeir...

Os Tempos Nublosos

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Já o disse antes, mas, perante o rumo que as coisas estão a tomar, repito-o com cada vez mais ênfase: vivemos os tempos mais sombrios de que tenho memória. E estou cada vez mais convencido de que caminhamos para uma ditadura reacionária, com traços neofascistas e neoliberais, que ameaça aniquilar por completo o progressismo cultural e social que marcou a Europa do pós-guerra. Mas não será uma ditadura férrea, sustentada por uma repressão estatal explícita, como as que conhecemos e, no caso português, vivemos durante quase cinquenta anos. Será uma ditadura da maioria, que não tolera a diferença. Os sinais estão por todo o lado, visíveis para quem quiser ver, ou melhor, para quem ousar sentir: nas conversas casuais, nos discursos de café e, espantosamente, até nos comentários de muitos que nos são próximos. A aceitação e até a reafirmação do discurso reacionário e intolerante perante a diferença são reais, cada vez mais generalizadas e mais radicais. Assistimos a uma crescente hostilidad...

O Mundo ao Contrário

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Declaração de interesses : não nutro qualquer simpatia pelo regime iraniano. No entanto, sinto verdadeira repulsa pelo regime sionista de Israel: um regime genocida, terrorista, racista e criminoso da pior espécie, que assassina crianças, médicos, idosos, mulheres e jornalistas como nenhum outro Estado pária moderno. O Estado sionista de Israel, o mesmo que se arroga uma impunidade absoluta, levou a cabo mais uma agressão: ilegal e terrorista contra o Irão, assassinando líderes, cientistas e civis, incluindo crianças. Tudo com base na alegação, convenientemente nunca provada, de que os aiatolas estariam a desenvolver armas nucleares que ameaçariam a existência do "pobre" Estado de Israel. E eis que surgem os de sempre: os dementes líderes europeus, os mesmos que estão a destruir os últimos vestígios da Europa pós-guerra, aquela que outrora foi o farol da civilização, apressaram-se a repetir o jargão gasto e obsceno de que "Israel tem o direito de se defender". E, co...

Democracias de Sangue e Mentira

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O Estado sionista, racista, terrorista e genocida de Israel voltou a agir com impunidade total, lançando um ataque contra o Irão que resultou no assassinato de dezenas de pessoas, entre elas crianças. Fê-lo, como sempre, com o beneplácito do império estadunidense — cúmplice estrutural e histórico das atrocidades israelitas — e com a submissão vergonhosa da Europa, incluindo a classe política portuguesa, todos ajoelhados perante os interesses geoestratégicos e económicos que valem mais do que qualquer vida humana não-ocidental. Mais uma vez, o argumento gasto de “Israel tem direito a defender-se” foi brandido com desfaçatez, mesmo quando foi o próprio Israel a iniciar uma agressão sem provocação. Este padrão de inversão moral tornou-se rotina. E a engrenagem que sustenta esta mentira é, sem dúvida, a máquina de propaganda mais eficaz do nosso tempo: os media mainstream. A manipulação mediática é hoje uma ameaça real à democracia e à liberdade. Estes meios — que deveriam informar, es...

Sinais do Nosso Tempo

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Fico chocado com o silêncio ensurdecedor da sociedade civil perante o genocídio que o Estado fascista, racista, criminoso e genocida de Israel está a cometer contra o povo palestiniano em Gaza. Com o apoio declarado de mais de 80% da sua população, Israel já massacrou milhares de crianças, mulheres e idosos. Já assassinou centenas de jornalistas, médicos e enfermeiros. Está em curso uma limpeza étnica brutal, metódica e impune — um crime contra a humanidade que deveria abalar consciências e mobilizar todas as formas de resistência e solidariedade. Mas o que vemos? Um silêncio cúmplice. Uma apatia assustadora. Muitos, que se manifestam com fervor por questões muito menos graves, calam-se agora. Nem um comentário, nem um simples post de indignação. Apenas silêncio. É insuportável assistir a este massacre com tamanha ausência de reação — nas ruas, nas redes sociais, nas conversas do dia a dia. Há tantas formas de protesto — partilhar a verdade, boicotar, pressionar governos, sair à ...

Cúmplices no Sangue

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O Estado fascista, racista, criminoso e genocida de Israel continua a chacinar impiedosamente crianças, mulheres e idosos, com o apoio activo — ou o silêncio cúmplice — de europeus e norte-americanos. Sinto o mais profundo nojo e repulsa pelas elites e dirigentes  portugueses e  europeus, cuja cobardia e cumplicidade perante o genocídio do povo palestiniano em Gaza são absolutamente vergonhosas. Toda a classe dirigente do centrão, da direita e das extremas-direitas é cúmplice. Hipócritas, cobardes, imorais — causam-me asco sempre que abrem a boca para falar em direitos humanos, democracia ou valores humanistas. Só dá vontade de vomitar. Os media mainstream — esse lixo disfarçado de informação — e a maioria dos seus comentadores e fazedores de opinião também não escapam. Continuam a normalizar, relativizar ou até justificar este genocídio às escâncaras. Alguns fazem-no descaradamente, outros com verniz de imparcialidade, mas quase nunca ousam condenar frontalmente o Estado de I...

O Oprimido Contra o Oprimido: A Vitória do Obscurantismo

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Assistimos a um crescimento alarmante do obscurantismo, alimentado por forças políticas e partidárias de extrema-direita, reacionárias e de inspiração fascista. Estas forças propagam mentiras e falsas perceções com uma eficácia viral através das redes sociais, explorando o medo, o ressentimento e a desinformação. Décadas de neoliberalismo e de globalização desenfreada têm vindo a desmantelar, de forma acelerada, a herança social construída no pós-guerra na Europa Ocidental e, no caso português, no pós-25 de Abril. Esse legado, assente num Estado social robusto, com garantias de direitos laborais, proteção social e acesso à educação, à saúde e à habitação está a ser destruído. Hoje, a precariedade laboral tornou-se norma, o acesso aos serviços públicos de saúde é cada vez mais difícil, e as desigualdades sociais aprofundam-se. A distância entre os mais ricos e os mais pobres cresce de forma vertiginosa, e a classe média vê-se empurrada para os níveis de vida dos estratos mais baixos da ...