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O Oprimido Contra o Oprimido: A Vitória do Obscurantismo

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Assistimos a um crescimento alarmante do obscurantismo, alimentado por forças políticas e partidárias de extrema-direita, reacionárias e de inspiração fascista. Estas forças propagam mentiras e falsas perceções com uma eficácia viral através das redes sociais, explorando o medo, o ressentimento e a desinformação. Décadas de neoliberalismo e de globalização desenfreada têm vindo a desmantelar, de forma acelerada, a herança social construída no pós-guerra na Europa Ocidental e, no caso português, no pós-25 de Abril. Esse legado, assente num Estado social robusto, com garantias de direitos laborais, proteção social e acesso à educação, à saúde e à habitação está a ser destruído. Hoje, a precariedade laboral tornou-se norma, o acesso aos serviços públicos de saúde é cada vez mais difícil, e as desigualdades sociais aprofundam-se. A distância entre os mais ricos e os mais pobres cresce de forma vertiginosa, e a classe média vê-se empurrada para os níveis de vida dos estratos mais baixos da ...

O Papel ativo dos Media no Cenário Político Atual

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A recente configuração parlamentar saída das eleições legislativas de 18 de maio em Portugal revela uma viragem política profunda: a consolidação de um bloco de direita quase hegemónico, a ascensão meteórica da extrema-direita que, num cenário inédito, ameaça ultrapassar o Partido Socialista e tornar-se a principal força da oposição, e a derrocada das esquerdas, com destaque para o quase desaparecimento da esquerda radical do espaço parlamentar. Perante este novo cenário, os media mainstream, sobretudo os canais de televisão e os seus comentadores, voltam à carga com um discurso repetido: a esquerda perdeu por culpa própria e precisa de fazer um exercício profundo de autocrítica. Esta análise, embora não desprovida de pertinência, é incompleta e perigosamente limitada. Na verdade, mais urgente e negligenciada é a reflexão que os próprios media deveriam fazer sobre o papel central que desempenharam neste virar de página político. Porque, em boa verdade, os media em Portugal têm uma resp...

Eurovisão: o festival da hipocrisia cúmplice com o genocídio

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O Festival da Eurovisão, outrora símbolo de união cultural entre povos europeus, tornou-se hoje uma farsa grotesca. Uma montra cínica de “diversidade” e “inclusão” que, na prática, serve de plataforma de branqueamento para um regime colonial, racista e genocida: o Estado sionista de Israel. Enquanto em Gaza se contam corpos de crianças, enquanto hospitais são destruídos e populações inteiras são reduzidas a escombros, a Eurovisão oferece palcos, luzes e aplausos a representantes de um Estado que todos os dias comete crimes de guerra. Como é possível? Que moral tem a organização deste festival para falar de “valores europeus” enquanto dá cobertura cultural a um regime que despreza o direito internacional e os princípios básicos da humanidade? Israel não devia ter lugar neste festival. E, no entanto, não só participa, como é tratado como um membro de pleno direito, como se fosse apenas mais um país democrático e pacífico. Esta “normalização” é, em si mesma, um acto de violência simbólica...

Direitas com Poder para Mudar a Constituição: Um Risco Real para a Democracia

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As eleições legislativas de 18 de maio de 2025 deixaram claro: Portugal entrou numa nova fase política, marcada por uma ascensão brutal da direita neoliberal radical e da extrema-direita, também ela neoliberal. Embora a revisão da Constituição ainda não esteja, pelo menos de forma explícita, na agenda imediata da direita que formará governo, não podemos ignorar a perigosa convergência de interesses e ideologias que se vai desenhando no horizonte. É preciso dizê-lo sem rodeios: existe hoje, pela primeira vez desde o 25 de Abril, uma maioria parlamentar com potencial para reescrever a Constituição da República Portuguesa. E não se trata de uma revisão técnica, pontual ou modernizadora. Trata-se da possibilidade real de uma reconfiguração profunda e reacionária do regime democrático, dos direitos sociais e do Estado que Abril instituiu. As forças da direita radical e da extrema-direita, abertamente hostis ao espírito e à letra da Constituição de 1976, têm deixado bem claro ao que vêm: red...

Tribunais para Uns, Genocídio para Outros, O Descrédito Final da Europa

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  No Dia da Europa, as elites europeias exibem o auge da hipocrisia moral: exigem justiça para uns, enquanto patrocinam o extermínio de outros. É o fim do mito humanista europeu. Por José Vaz e Silva Vivemos um dos momentos mais sombrios da nossa era e as máscaras da civilização europeia estão a cair com estrondo. Em Gaza, um povo inteiro está a ser chacinado a sangue-frio, com bombas, fome, sede e doença. Crianças morrem às centenas. Famílias são varridas do mapa. Hospitais transformam-se em cemitérios. E o que fazem as elites políticas europeias e portuguesas? Silenciam, justificam, relativizam ou, pior ainda, apoiam o massacre. Este não é um conflito. Não é uma guerra convencional. É um crime continuado contra a humanidade. É genocídio, com todas as letras e, embora os grandes meios de comunicação o abafem ou distorçam, a verdade chega-nos, fragmentada mas clara, através dos meios alternativos e de jornalistas corajosos no terreno. A União Europeia, que adora encher a boca...

A Falácia Libertária

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Os neoliberais radicais que se auto-intitulam "libertários" e que apregoam uma liberdade ilusória através das suas políticas de desregulação e privatização representam uma das maiores fraudes ideológicas do nosso tempo. Disfarçam interesses de classe com um verniz de modernidade e meritocracia, mas, na essência, defendem uma liberdade apenas acessível a quem detém poder económico. Prometem "libertar" os cidadãos da interferência do Estado, mas omitem que, numa sociedade profundamente desigual, a liberdade real — a de estudar, ter acesso à saúde, habitação condigna e trabalho digno — depende de condições materiais que só podem ser garantidas por políticas públicas robustas. A sua visão de liberdade ignora completamente as assimetrias de poder e riqueza, como se todos partíssemos da mesma linha de partida. Querem reduzir o papel do Estado nas áreas sociais — como a saúde, a educação e a proteção laboral — mas não contestam os benefícios fiscais a grandes grupos ...

O Peso de Falar Quando Todos se Calam

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Vivemos tempos perigosos. Não apenas pelos ventos reacionários que sopram com força nos corredores do poder político, mas sobretudo pela forma como esse mesmo reacionarismo se instala, subtil e sorrateiramente, no quotidiano social. Não chega apenas pelos discursos inflamados da extrema-direita ou pelos algoritmos das redes sociais. Ele manifesta-se também — e talvez com mais impacto — nas conversas entre amigos, nos jantares de família, nas entrelinhas dos comentários feitos por colegas, vizinhos, conhecidos. E, o que é mais desconcertante, por vezes até daqueles que sempre julgámos progressistas ou, no mínimo, sensíveis à justiça social. Assistimos a uma crescente hostilidade — disfarçada de bom senso, muitas vezes mascarada de racionalidade ou "equilíbrio" — face aos movimentos das minorias sexuais, étnicas e culturais. Grupos que durante décadas lutaram e continuam a lutar pelo direito básico à existência, à dignidade e à visibilidade, são agora alvo de um discurso difu...