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O Eclipse da Humanidade: O Genocídio em Gaza e o Presságio da Nossa Própria Queda

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Vivemos, reconhecidamente, o período mais sombrio desde a Segunda Guerra Mundial. É um "obscurantismo" ético e moral, impulsionado pela degradação das elites dirigentes e de uma parte significativa das massas. Assistimos à ascensão de uma sociedade cada vez mais individualista e egoísta, onde a empatia se tornou um bem em vias de extinção. Isto em grande parte devido a décadas de neoliberalismo. A erosão moral atingiu tal nível que as redes sociais se transformaram num palco de horrores onde a desgraça alheia é recebida com uma normalização indiferente ou, pior, com o escárnio dos que se sentem protegidos por uma falsa distância. Esta falência moral representa o colapso dos valores humanistas e da própria doutrina social que, durante décadas, serviu de bússola à nossa civilização. Poderia analisar esta decadência sob múltiplos prismas, mas foco-me no exemplo mais paradigmático desta tragédia contemporânea: a ocupação, a colonização e o genocídio em curso na Palestina. O...

Twin Peaks, uma obra-prima

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A primeira vez que vi Twin Peaks, nos anos 90, terminei a série profundamente frustrado. Procurava decifrar cada símbolo, compreender cada acontecimento, encontrar uma lógica que simplesmente não existia. Em vez de me deixar levar, tentava resolver um enigma que não tinha solução. A segunda vez foi décadas depois, quando estreou a terceira temporada. Revi as duas primeiras com outro espírito: mais aberto, mais atento. Passei a reparar nos pequenos prazeres, como o modo quase ritualístico com que o agente Dale Cooper bebe o seu café. E aquilo tornou-se uma verdadeira explosão sensorial. Agora, na terceira revisita, entrego-me completamente. Permito-me ser guiado pelos detalhes, pelas atmosferas, pelos silêncios. Aceito que não há resolução possível e percebo, enfim, que é precisamente esse mistério onírico que constitui a essência de Twin Peaks. Não é uma série como as outras: é uma obra de arte que mexe com os sentidos. Twin Peaks não é para ser decifrada, mas sentida. O universo de Da...

A Etnocracia Sionista: Genocídio em Gaza, Crimes na Cisjordânia e a Cumplicidade Hipócrita Global

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O regime sionista de Israel, essa entidade racista, criminosa e genocida, persiste na sua barbárie implacável contra o povo palestiniano em Gaza e na Cisjordânia, mesmo após quaisquer pretensos "acordos de paz" que sirvam apenas de cortina de fumo para os seus atos hediondos. Benjamin Netanyahu, esse infame criminoso de guerra, fabrica violações do cessar-fogo por parte do Hamas como pretexto conveniente para perpetuar o massacre sistemático de palestinos inocentes e o roubo descarado das suas terras ancestrais. Não são meras alegações, são factos irrefutáveis, comprovados por relatórios internacionais, testemunhos oculares e evidências incontestáveis: o Estado sionista comete genocídio em Gaza, bombardeando civis, destruindo hospitais, escolas e infraestruturas essenciais, matando milhares de crianças, mulheres e idosos num holocausto moderno que envergonha a humanidade. É um Estado segregacionista por excelência, que nega direitos iguais a árabes e judeus, confinando milh...

Neoliberal, Trapaceiro, Hipócrita e Criminoso e Reacionário

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Neoliberal O governo de Montenegro é, na sua essência, a expressão crua e disciplinada do neoliberalismo que domina a Europa há décadas. Defende uma economia entregue aos mercados financeiros, serviços públicos reduzidos e privatizados, trabalhadores descartáveis e direitos laborais vistos como entraves ao “progresso”. A cartilha é sempre a mesma: privatizar o que resta do setor público, liberalizar capitais para benefício da banca e dos grandes grupos económicos, e impor um mercado de trabalho frágil, onde a precariedade se torna norma e a estabilidade, exceção. A saúde deve ser paga por quem pode pagar; a escola pública é reduzida a uma escapatória para os pobres; a proteção social resume-se à esmola mínima para evitar revoltas. Acredita-se cegamente na autorregulação dos mercados, como se não fosse justamente essa fé dogmática que tem levado crises a destruir vidas por toda a Europa. O Estado, neste modelo, existe apenas para salvar bancos e garantir lucros privados, nunca para pr...

O pacote laboral do governo Montenegro: um retrocesso civilizacional

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O governo de Luís Montenegro prepara um pacote laboral que representa um ataque brutal aos direitos dos trabalhadores e um claro retrocesso civilizacional. Sob o disfarce de “modernização”, o executivo promove uma agenda profundamente neoliberal e reacionária, que ameaça destruir o que resta do contrato social construído no pós-guerra. O aumento do horário de trabalho até 50 horas semanais, a fragilização do direito à greve, a redução da importância da antiguidade e a facilitação dos despedimentos não são medidas técnicas, são opções ideológicas. Elas procuram submeter a vida ao império do mercado e transformar o trabalhador num recurso descartável, disponível 24 horas por dia ao serviço do lucro. Como denunciam Raquel Varela e António Garcia Pereira, trata-se de um projeto político que visa desmantelar o Estado social e enfraquecer qualquer forma de resistência coletiva. O governo de Montenegro, alinhado com as teses mais duras da direita europeia, mostra-se determinado em convert...

A Era do Neoliberalismo Totalitário e a Ascensão das Direitas Neofascistas

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“O neoliberalismo não é apenas um conjunto de políticas económicas; é uma reconfiguração total da humanidade e da sociedade sob o império do mercado.” — Christian Laval e Pierre Dardot , A Nova Razão do Mundo O neoliberalismo não pertence ao passado. É o sistema hegemónico do presente — um regime totalitário de mercado , como sublinha Marilena Chauí, que se impõe sobre as sociedades contemporâneas através de uma combinação de violência económica, simbólica e cultural. Sob o disfarce da liberdade individual e da eficiência económica, consolidou-se uma forma de dominação que substitui a democracia pelo consumo, a cidadania pela competição e a solidariedade pela culpa. Desde os anos 1980, com Thatcher e Reagan, o neoliberalismo tornou-se o dogma estrutural do Ocidente. Mas o seu poder não reside apenas nas instituições: reside sobretudo na captura das consciências. George Monbiot descreve-o como a “ideologia invisível” do nosso tempo — uma fé naturalizada que molda a própria forma de pens...

Democracia em Queda Livre

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 Donald Trump, que ainda ocupa o cargo mais poderoso do planeta, publicou um vídeo gerado por inteligência artificial onde aparece a pilotar um avião que lança fezes sobre uma multidão de manifestantes que protestam contra ele. É uma imagem repulsiva — e, no entanto, tristemente coerente com o tempo em que vivemos. A política transformou-se em espetáculo de humilhação, e o poder um palco de provocação. O episódio seria apenas grotesco se não fosse profundamente revelador. Mostra até que ponto a fronteira entre o real e o artificial se dissolveu, e como a violência simbólica substituiu o debate. Quando um líder mundial recorre a ferramentas de inteligência artificial para insultar os seus opositores, não estamos perante humor — estamos perante a normalização do desprezo, a banalização da ofensa e a estetização da mentira. Mas Trump não é uma exceção: é um sintoma. O mesmo vírus alastra por todo o Ocidente. Em países onde a democracia parecia consolidada, a extrema-direita ganha ...