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De Derrota em Derrota até à Vitória Final

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A recente eleição presidencial de António José Seguro foi celebrada, dentro e fora de Portugal, com entusiasmo quase eufórico por democratas de esquerda e de direita. A vitória na segunda volta (cerca de 66% dos votos contra aproximadamente 33% do candidato da extrema-direita) foi apresentada como uma derrota histórica do fascismo. Muitos proclamaram tratar-se de uma vitória retumbante da democracia; alguns chegaram mesmo a afirmar que o resultado demonstrava que o fascismo jamais regressaria a Portugal. Confesso que não partilho desse entusiasmo, nem sequer do otimismo moderado que muitos expressam. E não o faço por três razões fundamentais. Em primeiro lugar, discordo da análise segundo a qual a extrema-direita foi “retumbantemente derrotada”. Um terço do eleitorado num país com a história política de Portugal não é um resíduo irrelevante: é uma base social consolidada, mobilizada e normalizada. Não se trata de uma marginalidade política, mas de um bloco significativo, com capacidade...

Ultraje

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Como português e europeu, sinto-me profundamente ultrajado pela postura pusilânime e conivente das nossas instituições. Repugna-me a cumplicidade descarada daqueles que, em Lisboa ou Bruxelas, branqueiam crimes do império com eufemismos diplomáticos ou silêncios cúmplices. Causa-me asco profundo a estratégia deliberada de rotular como "benevolente" ou "necessária" qualquer atrocidade cometida pelo império, num servilismo miserável e criminoso que envergonha gerações inteiras. Brada-se aos céus valores democráticos para sancionar e demonizar certas nações – aquelas que ousam desafiar a hegemonia imperial –, enquanto se justificam, minimizam ou silenciam crimes hediondos como este contra a Venezuela. É uma hipocrisia tão gritante que até uma criança a deteta, uma duplicidade de critérios que expõe a podridão moral no cerne das nossas lideranças. Essas elites corruptas e servis aos interesses do império, que vendem a alma europeia por migalhas de poder ou alianças geop...

E Quando Bater à Nossa Porta?

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O crime cometido pelo império contra a Venezuela é inqualificável. Não admite relativizações, rodeios nem exercícios cínicos de contextualização seletiva. E, no entanto, foi precisamente isso que assistimos: uma encenação obscena de cegueira voluntária, manipulação descarada e servilismo rasteiro por parte dos media mainstream e das elites dirigentes europeias, incluindo o governo português. Um espetáculo de degradação moral que expõe, sem margem para dúvidas, a falência ética, política e civilizacional da Europa institucional. Independentemente da situação política, económica ou institucional interna da Venezuela, que não serve nem pode servir de pretexto para agressões externas, o que está em causa é a cumplicidade ativa da Europa com os crimes do império estadunidense. Em Lisboa e em Bruxelas, governantes, eurocratas e decisores políticos alinham obedientemente com narrativas impostas por Washington, traindo o direito internacional, os princípios mais básicos da soberania dos povo...

Uma Europa Distópica Cada Vez Mais Próxima do Totalitarismo Sancionatório

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A União Europeia tem vindo a construir, sob o pretexto da defesa da democracia, da segurança e dos direitos humanos, um mecanismo sancionatório cada vez mais vasto, opaco e perigosamente arbitrário. Inicialmente apresentado como um instrumento excecional contra Estados considerados autoritários ou violadores do direito internacional, este sistema rapidamente se expandiu para atingir indivíduos concretos, muitas vezes sem acusação formal, sem contraditório, sem julgamento e sem qualquer decisão judicial independente. Hoje, cidadãos europeus e não europeus podem ser sancionados por alegadas ligações políticas, ideológicas ou comunicacionais a regimes ou narrativas consideradas hostis à União Europeia. O simples ato de opinar, analisar, questionar ou divergir, mesmo com base em fontes públicas, ocidentais ou oficiais, passou a ser suficiente para justificar medidas que destroem por completo a vida civil de uma pessoa. Congelamento de contas bancárias, proibição de viajar, perda de emp...

O Eclipse da Humanidade: O Genocídio em Gaza e o Presságio da Nossa Própria Queda

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Vivemos, reconhecidamente, o período mais sombrio desde a Segunda Guerra Mundial. É um "obscurantismo" ético e moral, impulsionado pela degradação das elites dirigentes e de uma parte significativa das massas. Assistimos à ascensão de uma sociedade cada vez mais individualista e egoísta, onde a empatia se tornou um bem em vias de extinção. Isto em grande parte devido a décadas de neoliberalismo. A erosão moral atingiu tal nível que as redes sociais se transformaram num palco de horrores onde a desgraça alheia é recebida com uma normalização indiferente ou, pior, com o escárnio dos que se sentem protegidos por uma falsa distância. Esta falência moral representa o colapso dos valores humanistas e da própria doutrina social que, durante décadas, serviu de bússola à nossa civilização. Poderia analisar esta decadência sob múltiplos prismas, mas foco-me no exemplo mais paradigmático desta tragédia contemporânea: a ocupação, a colonização e o genocídio em curso na Palestina. O...

Twin Peaks, uma obra-prima

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A primeira vez que vi Twin Peaks, nos anos 90, terminei a série profundamente frustrado. Procurava decifrar cada símbolo, compreender cada acontecimento, encontrar uma lógica que simplesmente não existia. Em vez de me deixar levar, tentava resolver um enigma que não tinha solução. A segunda vez foi décadas depois, quando estreou a terceira temporada. Revi as duas primeiras com outro espírito: mais aberto, mais atento. Passei a reparar nos pequenos prazeres, como o modo quase ritualístico com que o agente Dale Cooper bebe o seu café. E aquilo tornou-se uma verdadeira explosão sensorial. Agora, na terceira revisita, entrego-me completamente. Permito-me ser guiado pelos detalhes, pelas atmosferas, pelos silêncios. Aceito que não há resolução possível e percebo, enfim, que é precisamente esse mistério onírico que constitui a essência de Twin Peaks. Não é uma série como as outras: é uma obra de arte que mexe com os sentidos. Twin Peaks não é para ser decifrada, mas sentida. O universo de Da...

A Etnocracia Sionista: Genocídio em Gaza, Crimes na Cisjordânia e a Cumplicidade Hipócrita Global

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O regime sionista de Israel, essa entidade racista, criminosa e genocida, persiste na sua barbárie implacável contra o povo palestiniano em Gaza e na Cisjordânia, mesmo após quaisquer pretensos "acordos de paz" que sirvam apenas de cortina de fumo para os seus atos hediondos. Benjamin Netanyahu, esse infame criminoso de guerra, fabrica violações do cessar-fogo por parte do Hamas como pretexto conveniente para perpetuar o massacre sistemático de palestinos inocentes e o roubo descarado das suas terras ancestrais. Não são meras alegações, são factos irrefutáveis, comprovados por relatórios internacionais, testemunhos oculares e evidências incontestáveis: o Estado sionista comete genocídio em Gaza, bombardeando civis, destruindo hospitais, escolas e infraestruturas essenciais, matando milhares de crianças, mulheres e idosos num holocausto moderno que envergonha a humanidade. É um Estado segregacionista por excelência, que nega direitos iguais a árabes e judeus, confinando milh...