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Não Há Debate Possível

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Pacheco Pereira, um dos raros intelectuais portugueses que, mesmo quando discordamos de muitas das suas posições, merece o nosso mais profundo respeito pela rigorosa capacidade de análise, pela honestidade intelectual e pelo domínio sereno da história política portuguesa, decidiu desafiar o líder da extrema-direita para um debate televisivo. O pretexto foi uma afirmação histórica claramente falsa e provocatória: a de que “pouco tempo depois do 25 de Abril havia mais presos políticos do que antes de 1974”. O desafio surpreendeu muitos. E o resultado, infelizmente, confirmou o pior cenário possível: o debate transformou-se num desastre retórico, histórico e ético. Não por falta de preparação, de argumentos ou de dossiers por parte de Pacheco Pereira — que, como sempre, dominou o terreno com precisão cirúrgica. O problema é mais profundo e estrutural: não é possível debater com a extrema-direita. Porque a extrema-direita não debate. Ela não aceita o debate como instrumento de procura da v...

O Ocaso da Civilização: O Império Decadente, o Seu Protegido Sanguinário e o Abismo Ético do Nosso Tempo

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Não vivemos um mero ciclo de crise: assistimos à metástase moral galopante da modernidade. Se a década de 1930 foi o prelúdio sombrio do horror, a nossa era é o seu espelho deformado e grotesco — um tempo em que a barbárie já não se esconde nas sombras, mas se exibe em alta definição, se consome em tempo real e se integra no quotidiano com a mais cínica naturalidade. O que outrora foi o “silêncio cúmplice” das democracias liberais transformou-se na forma mais perversa e repugnante de participação: a normalização ativa, entusiástica e militante da violência mais desumana. O obscurantismo contemporâneo não nasce da ignorância, mas de uma indiferença fria, calculada e deliberadamente cultivada. Décadas de neoliberalismo selvagem não se limitaram a reorganizar economias: reprogramaram consciências, fragmentaram o tecido social até ao osso, dissolveram o sentido de comunidade e reduziram o cidadão a uma mera unidade de cálculo egoísta, incapaz de reconhecer no outro um igual, um ser humano....

Fim da Ordem Mundial? Não! Fim da Farsa

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A propósito das declarações recentes de Ursula von der Leyen sobre o “fim da ordem mundial”, declara com cinismo descarado que “a Europa não pode continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial, de um mundo que se foi e não voltará”, fica mais uma vez escancarada a falência moral absoluta, a hipocrisia sem limites e o servilismo patético deste ser e da Comissão Europeia. Esta senhora e os seus acólitos, que há anos se pavoneiam como defensores da “ordem baseada em regras” e dos “valores europeus”, agora aceitam alegremente o fim dessa mesma ordem precisamente quando ela deixa de lhes ser conveniente. Porque a verdade é esta, nua e crua: a democracia da União Europeia, nas mãos desta gente sem credibilidade nem escrúpulos, transformou-se numa farsa totalitária, ditada ao milímetro pelo consenso imposto por Washington e pelos humores volúveis dos seus chefes. Com o servilismo endémico e nauseabundo dos media mainstream e a horda de idiotas úteis completamente alienados pelas narrativa...

Adeus, Europa

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A Europa mergulhou numa profunda decadência económica, social, moral e ética. Este declínio não é um acidente histórico, mas o resultado direto de décadas de políticas neoliberais, implementadas, ironicamente, por muitas das forças políticas que outrora se apresentavam como guardiãs da social-democracia. A esta realidade soma-se um servilismo crónico ao império americano. O legado do pós-guerra, assente no Estado Social e na dignidade do trabalho, foi traído, esvaziado de conteúdo e transformado num mero instrumento da globalização predatória, ao serviço da alta finança e das corporações transnacionais. A Europa de hoje (Portugal incluído) encontra-se entregue a ignorantes, traidores, manipuladores, oportunistas e lacaios; indivíduos sem qualquer capacidade de liderança. Também por isso, temos uma população amorfa, adormecida e alienada, uma massa inerte que assiste passivamente ao seu próprio declínio, sem revolta, sem mobilização coletiva e sem qualquer reação. A pandemia, a guerra n...

A Era da Desinformação Institucionalizada

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Não há fundo que ampare a desinformação. A comunicação social, por definição, deveria ser um pilar da democracia, alicerçada na busca da verdade, na verificação rigorosa dos factos e na distinção clara entre informação e opinião. O seu dever é defender a imparcialidade e o pluralismo, assegurando uma representação justa da diversidade social, política, cultural e regional do país. Deve atuar com transparência, responsabilidade e respeito pelos direitos humanos, promovendo o interesse público acima de qualquer influência política ou económica. O compromisso inalienável da comunicação social é com a ética, a integridade e o direito dos cidadãos a uma informação livre, credível e acessível. O que observamos hoje na comunicação social generalista, porém, é o retrato fiel do incumprimento sistemático deste desígnio. O desequilíbrio opinativo é gritante. Quando a lente se volta para a informação internacional, a credibilidade esfuma-se; no plano da geopolítica, o escândalo atinge o seu expoe...

De Derrota em Derrota até à Vitória Final

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A recente eleição presidencial de António José Seguro foi celebrada, dentro e fora de Portugal, com entusiasmo quase eufórico por democratas de esquerda e de direita. A vitória na segunda volta (cerca de 66% dos votos contra aproximadamente 33% do candidato da extrema-direita) foi apresentada como uma derrota histórica do fascismo. Muitos proclamaram tratar-se de uma vitória retumbante da democracia; alguns chegaram mesmo a afirmar que o resultado demonstrava que o fascismo jamais regressaria a Portugal. Confesso que não partilho desse entusiasmo, nem sequer do otimismo moderado que muitos expressam. E não o faço por três razões fundamentais. Em primeiro lugar, discordo da análise segundo a qual a extrema-direita foi “retumbantemente derrotada”. Um terço do eleitorado num país com a história política de Portugal não é um resíduo irrelevante: é uma base social consolidada, mobilizada e normalizada. Não se trata de uma marginalidade política, mas de um bloco significativo, com capacidade...

Ultraje

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Como português e europeu, sinto-me profundamente ultrajado pela postura pusilânime e conivente das nossas instituições. Repugna-me a cumplicidade descarada daqueles que, em Lisboa ou Bruxelas, branqueiam crimes do império com eufemismos diplomáticos ou silêncios cúmplices. Causa-me asco profundo a estratégia deliberada de rotular como "benevolente" ou "necessária" qualquer atrocidade cometida pelo império, num servilismo miserável e criminoso que envergonha gerações inteiras. Brada-se aos céus valores democráticos para sancionar e demonizar certas nações – aquelas que ousam desafiar a hegemonia imperial –, enquanto se justificam, minimizam ou silenciam crimes hediondos como este contra a Venezuela. É uma hipocrisia tão gritante que até uma criança a deteta, uma duplicidade de critérios que expõe a podridão moral no cerne das nossas lideranças. Essas elites corruptas e servis aos interesses do império, que vendem a alma europeia por migalhas de poder ou alianças geop...