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A mostrar mensagens de outubro, 2025

A Era do Neoliberalismo Totalitário e a Ascensão das Direitas Neofascistas

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Imagem da minha autoria com elementos acrescentados por IA “O neoliberalismo não é apenas um conjunto de políticas económicas; é uma reconfiguração total da humanidade e da sociedade sob o império do mercado.” — Christian Laval e Pierre Dardot , A Nova Razão do Mundo O neoliberalismo não pertence ao passado. É o sistema hegemónico do presente — um regime totalitário de mercado , como sublinha Marilena Chauí, que se impõe sobre as sociedades contemporâneas através de uma combinação de violência económica, simbólica e cultural. Sob o disfarce da liberdade individual e da eficiência económica, consolidou-se uma forma de dominação que substitui a democracia pelo consumo, a cidadania pela competição e a solidariedade pela culpa. Desde os anos 1980, com Thatcher e Reagan, o neoliberalismo tornou-se o dogma estrutural do Ocidente. Mas o seu poder não reside apenas nas instituições: reside sobretudo na captura das consciências. George Monbiot descreve-o como a “ideologia invisível” do nosso ...

Democracia em Queda Livre

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 Donald Trump, que ainda ocupa o cargo mais poderoso do planeta, publicou um vídeo gerado por inteligência artificial onde aparece a pilotar um avião que lança fezes sobre uma multidão de manifestantes que protestam contra ele. É uma imagem repulsiva — e, no entanto, tristemente coerente com o tempo em que vivemos. A política transformou-se em espetáculo de humilhação, e o poder um palco de provocação. O episódio seria apenas grotesco se não fosse profundamente revelador. Mostra até que ponto a fronteira entre o real e o artificial se dissolveu, e como a violência simbólica substituiu o debate. Quando um líder mundial recorre a ferramentas de inteligência artificial para insultar os seus opositores, não estamos perante humor — estamos perante a normalização do desprezo, a banalização da ofensa e a estetização da mentira. Mas Trump não é uma exceção: é um sintoma. O mesmo vírus alastra por todo o Ocidente. Em países onde a democracia parecia consolidada, a extrema-direita ganha ...

Carta Aberta à Provedora do Telespectador da RTP, Ana Sousa Dias

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Exma. Senhora Provedora do Telespectador, Ana Sousa Dias, Dirijo-me a V. Ex.ª na qualidade de cidadão e contribuinte, profundamente preocupado com a forma como o serviço público de informação da RTP tem vindo a degradar-se e a afastar-se da sua missão essencial: garantir uma informação rigorosa, independente e plural, ao serviço da sociedade e da democracia. O serviço público de comunicação social deve basear-se na busca da verdade, na verificação dos factos e na distinção clara entre informação e opinião. Deve defender a imparcialidade e o pluralismo, assegurando uma representação justa da diversidade social, política, cultural e regional do país. Deve atuar com transparência, responsabilidade e respeito pelos direitos humanos, promovendo o interesse público acima de qualquer influência política ou económica. O compromisso da RTP deve ser com a ética, a integridade e o direito dos cidadãos a uma informação livre, credível e acessível a todos. Infelizmente, Senhora Provedora, na...

A Era Do Desencanto

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Onde param aqueles que, perante o desabar civilizacional que testemunhamos, permanecem quase em silêncio, como se o espanto tivesse sido substituído pela resignação? Onde estiveram, nos últimos dois anos, durante o genocídio do povo palestiniano, quando a barbárie se mostrou em direto diante do mundo, e a maioria manteve um silêncio sepulcral? Terão viajado para Marte? Ou terão simplesmente desistido? Onde estão os músicos que, há poucas décadas, usavam a sua arte como forma de denúncia, de solidariedade e de esperança? Onde estão os intelectuais que outrora empunharam a palavra como arma contra a injustiça, que enfrentaram regimes, denunciaram tiranias e defenderam causas progressistas? Onde estão agora, quando a ignomínia volta a erguer-se sob novas máscaras, e o retrocesso moral e político se impõe como norma? Onde estão os movimentos populares e sociais que um dia se levantaram por causas justas — como a autodeterminação do povo timorense, por exemplo —, mas que hoje parecem di...

A Paz em Gaza: Entre o Desejo e a Desconfiança

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A paz para o povo palestiniano seria, sem dúvida, uma das mais nobres e urgentes conquistas do nosso tempo. Depois de tantas décadas de sofrimento, destruição e injustiça, qualquer proposta que traga esperança de um cessar da violência merece ser ouvida e analisada com cuidado. No entanto, não basta proclamar a paz, é preciso compreender quem a propõe, em que condições e com que intenções. É precisamente aí que reside a minha dúvida. Gostaria sinceramente de acreditar que o plano anunciado por Trump e pelos seus aliados poderá abrir caminho a uma paz verdadeira e duradoura. Mas a experiência histórica e a natureza do poder que domina Israel obrigam a olhar este processo com prudência e ceticismo. O que assistimos ao longo de décadas não é apenas a política de um governo passageiro, é a execução de um projeto ideológico profundo, intrinsecamente ligado ao sionismo, que tem sustentado a colonização, a expulsão e o genocídio do povo palestiniano desde a fundação do Estado de Israel. Esse ...

Israel e o Mito do “Direito à Defesa”

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Desde o 7 de outubro de 2023 que a propaganda sionista, amplificada pelos grandes meios de comunicação e pelas elites políticas ocidentais, repete incessantemente uma frase que se tornou mantra: “Israel tem direito à sua defesa.” Mas essa frase, apresentada como verdade absoluta, esconde uma realidade histórica, política e moral muito diferente da que é propagada. Israel não é uma vítima sitiada. É uma potência ocupante. E a sua alegada “autodefesa” tem servido de cortina de fumo para crimes sistemáticos contra um povo ocupado há mais de sete décadas. A História que o Discurso Oficial Apaga A falácia da “autodefesa” parte da ideia de que tudo começou com o ataque do Hamas, a 7 de outubro de 2023. Mas o conflito entre Israel e a Palestina tem raízes profundas e antigas, que remontam à fundação do Estado de Israel, em 1948, o ano da Nakba , a “catástrofe”, quando mais de 700 mil palestinianos foram expulsos das suas terras e aldeias. Em 1967, após a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a ...

O linchamento de Mariana Mortágua é o espelho da intolerância

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  O ódio a Mariana Mortágua não é uma questão política normal, fruto da divergência entre partidos ou de discordâncias ideológicas próprias de uma democracia saudável. O que se assiste, diariamente, é um ódio primário, bruto, descontrolado, que extravasa os limites do aceitável e do razoável. É um ódio que se entranha, que se repete em comentários nas redes sociais, em conversas de café, em programas de opinião. É um ódio que não debate: insulta. Que não discorda: difama. Este ódio é tão avassalador que até parece que Mariana Mortágua seria uma criminosa, alguém que anda a espalhar medo e violência, quando o que faz é política. Política com convicção, com firmeza e com a coragem de quem não se verga à chantagem do poder económico nem às pressões da direita mais reacionária. Mas para muitos, isso é imperdoável. O caso de Mortágua revela-nos o lado mais sombrio da sociedade portuguesa: uma faixa da população que vive intoxicada de preconceito, intolerância e ressentimento. Gente ...

A Falência Moral Global Face ao Sionismo: Uma Análise Incisiva do Conflito Israeli-Palestiniano e da Cumplicidade Internacional

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O que se desenrola no Médio Oriente, em particular as ações do Estado de Israel em Gaza e na Cisjordânia, transcende a mera geopolítica; constitui uma mancha indelével na consciência global, um espelho da mais profunda falência ética e moral do nosso tempo. Longe de ser um conflito complexo de duas narrativas equivalentes, esta realidade é, para muitos, a materialização de um Estado que se comporta de forma segregacionista, racista, colonizadora, criminosa e, inegavelmente, genocida. Esta perspetiva, alicerçada em valores éticos e morais inegociáveis, obriga-nos a confrontar não só os atos de Israel, mas a vergonhosa cumplicidade das elites dirigentes mundiais, dos meios de comunicação hegemónicos e de uma parcela da própria "populaça". O Caráter Segregacionista e Colonizador de Israel: Uma Realidade Indesmentível A acusação de que Israel é um estado segregacionista não é uma retórica vazia; é uma descrição factualmente observável, sustentada por décadas de políticas e ações....

O Período Mais Negro Desde a II Guerra: A Falência Moral do Ocidente face à Palestina

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Vivemos um dos períodos mais sombrios da história recente. À vista de todos, o Estado de Israel prossegue políticas de colonização, segregação e destruição sistemática da Palestina. À vista de todos, comete crimes que a ONU, a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional já classificaram como apartheid e crimes de guerra . À vista de todos, ergue muros, aprisiona crianças, bombardeia hospitais e escolas, bloqueia alimentos e medicamentos a milhões de pessoas. E, ainda assim, as elites dirigentes mundiais, sobretudo na Europa, incluindo Portugal, não apenas fecham os olhos, como são cúmplices ativos dessa realidade. Os media de referência reproduzem a propaganda oficial israelita, descontextualizam a história e silenciam os crimes. E parte da sociedade civil, longe de se indignar, goza com o sofrimento de um povo inteiro. Este é, sem dúvida, o período mais negro desde a II Guerra Mundial. Colonização e apartheid: um projeto estrutural O historiador israelita Ilan Pappé , em A Limpeza É...