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O Ocaso da Civilização: O Império Decadente, o Seu Protegido Sanguinário e o Abismo Ético do Nosso Tempo

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Não vivemos um mero ciclo de crise: assistimos à metástase moral galopante da modernidade. Se a década de 1930 foi o prelúdio sombrio do horror, a nossa era é o seu espelho deformado e grotesco — um tempo em que a barbárie já não se esconde nas sombras, mas se exibe em alta definição, se consome em tempo real e se integra no quotidiano com a mais cínica naturalidade. O que outrora foi o “silêncio cúmplice” das democracias liberais transformou-se na forma mais perversa e repugnante de participação: a normalização ativa, entusiástica e militante da violência mais desumana. O obscurantismo contemporâneo não nasce da ignorância, mas de uma indiferença fria, calculada e deliberadamente cultivada. Décadas de neoliberalismo selvagem não se limitaram a reorganizar economias: reprogramaram consciências, fragmentaram o tecido social até ao osso, dissolveram o sentido de comunidade e reduziram o cidadão a uma mera unidade de cálculo egoísta, incapaz de reconhecer no outro um igual, um ser humano....

Fim da Ordem Mundial? Não! Fim da Farsa

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A propósito das declarações recentes de Ursula von der Leyen sobre o “fim da ordem mundial”, declara com cinismo descarado que “a Europa não pode continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial, de um mundo que se foi e não voltará”, fica mais uma vez escancarada a falência moral absoluta, a hipocrisia sem limites e o servilismo patético deste ser e da Comissão Europeia. Esta senhora e os seus acólitos, que há anos se pavoneiam como defensores da “ordem baseada em regras” e dos “valores europeus”, agora aceitam alegremente o fim dessa mesma ordem precisamente quando ela deixa de lhes ser conveniente. Porque a verdade é esta, nua e crua: a democracia da União Europeia, nas mãos desta gente sem credibilidade nem escrúpulos, transformou-se numa farsa totalitária, ditada ao milímetro pelo consenso imposto por Washington e pelos humores volúveis dos seus chefes. Com o servilismo endémico e nauseabundo dos media mainstream e a horda de idiotas úteis completamente alienados pelas narrativa...

Adeus, Europa

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A Europa mergulhou numa profunda decadência económica, social, moral e ética. Este declínio não é um acidente histórico, mas o resultado direto de décadas de políticas neoliberais, implementadas, ironicamente, por muitas das forças políticas que outrora se apresentavam como guardiãs da social-democracia. A esta realidade soma-se um servilismo crónico ao império americano. O legado do pós-guerra, assente no Estado Social e na dignidade do trabalho, foi traído, esvaziado de conteúdo e transformado num mero instrumento da globalização predatória, ao serviço da alta finança e das corporações transnacionais. A Europa de hoje (Portugal incluído) encontra-se entregue a ignorantes, traidores, manipuladores, oportunistas e lacaios; indivíduos sem qualquer capacidade de liderança. Também por isso, temos uma população amorfa, adormecida e alienada, uma massa inerte que assiste passivamente ao seu próprio declínio, sem revolta, sem mobilização coletiva e sem qualquer reação. A pandemia, a guerra n...

A Era da Desinformação Institucionalizada

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Não há fundo que ampare a desinformação. A comunicação social, por definição, deveria ser um pilar da democracia, alicerçada na busca da verdade, na verificação rigorosa dos factos e na distinção clara entre informação e opinião. O seu dever é defender a imparcialidade e o pluralismo, assegurando uma representação justa da diversidade social, política, cultural e regional do país. Deve atuar com transparência, responsabilidade e respeito pelos direitos humanos, promovendo o interesse público acima de qualquer influência política ou económica. O compromisso inalienável da comunicação social é com a ética, a integridade e o direito dos cidadãos a uma informação livre, credível e acessível. O que observamos hoje na comunicação social generalista, porém, é o retrato fiel do incumprimento sistemático deste desígnio. O desequilíbrio opinativo é gritante. Quando a lente se volta para a informação internacional, a credibilidade esfuma-se; no plano da geopolítica, o escândalo atinge o seu expoe...

De Derrota em Derrota até à Vitória Final

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A recente eleição presidencial de António José Seguro foi celebrada, dentro e fora de Portugal, com entusiasmo quase eufórico por democratas de esquerda e de direita. A vitória na segunda volta (cerca de 66% dos votos contra aproximadamente 33% do candidato da extrema-direita) foi apresentada como uma derrota histórica do fascismo. Muitos proclamaram tratar-se de uma vitória retumbante da democracia; alguns chegaram mesmo a afirmar que o resultado demonstrava que o fascismo jamais regressaria a Portugal. Confesso que não partilho desse entusiasmo, nem sequer do otimismo moderado que muitos expressam. E não o faço por três razões fundamentais. Em primeiro lugar, discordo da análise segundo a qual a extrema-direita foi “retumbantemente derrotada”. Um terço do eleitorado num país com a história política de Portugal não é um resíduo irrelevante: é uma base social consolidada, mobilizada e normalizada. Não se trata de uma marginalidade política, mas de um bloco significativo, com capacidade...

Ultraje

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Como português e europeu, sinto-me profundamente ultrajado pela postura pusilânime e conivente das nossas instituições. Repugna-me a cumplicidade descarada daqueles que, em Lisboa ou Bruxelas, branqueiam crimes do império com eufemismos diplomáticos ou silêncios cúmplices. Causa-me asco profundo a estratégia deliberada de rotular como "benevolente" ou "necessária" qualquer atrocidade cometida pelo império, num servilismo miserável e criminoso que envergonha gerações inteiras. Brada-se aos céus valores democráticos para sancionar e demonizar certas nações – aquelas que ousam desafiar a hegemonia imperial –, enquanto se justificam, minimizam ou silenciam crimes hediondos como este contra a Venezuela. É uma hipocrisia tão gritante que até uma criança a deteta, uma duplicidade de critérios que expõe a podridão moral no cerne das nossas lideranças. Essas elites corruptas e servis aos interesses do império, que vendem a alma europeia por migalhas de poder ou alianças geop...

E Quando Bater à Nossa Porta?

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O crime cometido pelo império contra a Venezuela é inqualificável. Não admite relativizações, rodeios nem exercícios cínicos de contextualização seletiva. E, no entanto, foi precisamente isso que assistimos: uma encenação obscena de cegueira voluntária, manipulação descarada e servilismo rasteiro por parte dos media mainstream e das elites dirigentes europeias, incluindo o governo português. Um espetáculo de degradação moral que expõe, sem margem para dúvidas, a falência ética, política e civilizacional da Europa institucional. Independentemente da situação política, económica ou institucional interna da Venezuela, que não serve nem pode servir de pretexto para agressões externas, o que está em causa é a cumplicidade ativa da Europa com os crimes do império estadunidense. Em Lisboa e em Bruxelas, governantes, eurocratas e decisores políticos alinham obedientemente com narrativas impostas por Washington, traindo o direito internacional, os princípios mais básicos da soberania dos povo...

Uma Europa Distópica Cada Vez Mais Próxima do Totalitarismo Sancionatório

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A União Europeia tem vindo a construir, sob o pretexto da defesa da democracia, da segurança e dos direitos humanos, um mecanismo sancionatório cada vez mais vasto, opaco e perigosamente arbitrário. Inicialmente apresentado como um instrumento excecional contra Estados considerados autoritários ou violadores do direito internacional, este sistema rapidamente se expandiu para atingir indivíduos concretos, muitas vezes sem acusação formal, sem contraditório, sem julgamento e sem qualquer decisão judicial independente. Hoje, cidadãos europeus e não europeus podem ser sancionados por alegadas ligações políticas, ideológicas ou comunicacionais a regimes ou narrativas consideradas hostis à União Europeia. O simples ato de opinar, analisar, questionar ou divergir, mesmo com base em fontes públicas, ocidentais ou oficiais, passou a ser suficiente para justificar medidas que destroem por completo a vida civil de uma pessoa. Congelamento de contas bancárias, proibição de viajar, perda de emp...

O Eclipse da Humanidade: O Genocídio em Gaza e o Presságio da Nossa Própria Queda

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Vivemos, reconhecidamente, o período mais sombrio desde a Segunda Guerra Mundial. É um "obscurantismo" ético e moral, impulsionado pela degradação das elites dirigentes e de uma parte significativa das massas. Assistimos à ascensão de uma sociedade cada vez mais individualista e egoísta, onde a empatia se tornou um bem em vias de extinção. Isto em grande parte devido a décadas de neoliberalismo. A erosão moral atingiu tal nível que as redes sociais se transformaram num palco de horrores onde a desgraça alheia é recebida com uma normalização indiferente ou, pior, com o escárnio dos que se sentem protegidos por uma falsa distância. Esta falência moral representa o colapso dos valores humanistas e da própria doutrina social que, durante décadas, serviu de bússola à nossa civilização. Poderia analisar esta decadência sob múltiplos prismas, mas foco-me no exemplo mais paradigmático desta tragédia contemporânea: a ocupação, a colonização e o genocídio em curso na Palestina. O...

Twin Peaks, uma obra-prima

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A primeira vez que vi Twin Peaks, nos anos 90, terminei a série profundamente frustrado. Procurava decifrar cada símbolo, compreender cada acontecimento, encontrar uma lógica que simplesmente não existia. Em vez de me deixar levar, tentava resolver um enigma que não tinha solução. A segunda vez foi décadas depois, quando estreou a terceira temporada. Revi as duas primeiras com outro espírito: mais aberto, mais atento. Passei a reparar nos pequenos prazeres, como o modo quase ritualístico com que o agente Dale Cooper bebe o seu café. E aquilo tornou-se uma verdadeira explosão sensorial. Agora, na terceira revisita, entrego-me completamente. Permito-me ser guiado pelos detalhes, pelas atmosferas, pelos silêncios. Aceito que não há resolução possível e percebo, enfim, que é precisamente esse mistério onírico que constitui a essência de Twin Peaks. Não é uma série como as outras: é uma obra de arte que mexe com os sentidos. Twin Peaks não é para ser decifrada, mas sentida. O universo de Da...

A Etnocracia Sionista: Genocídio em Gaza, Crimes na Cisjordânia e a Cumplicidade Hipócrita Global

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O regime sionista de Israel, essa entidade racista, criminosa e genocida, persiste na sua barbárie implacável contra o povo palestiniano em Gaza e na Cisjordânia, mesmo após quaisquer pretensos "acordos de paz" que sirvam apenas de cortina de fumo para os seus atos hediondos. Benjamin Netanyahu, esse infame criminoso de guerra, fabrica violações do cessar-fogo por parte do Hamas como pretexto conveniente para perpetuar o massacre sistemático de palestinos inocentes e o roubo descarado das suas terras ancestrais. Não são meras alegações, são factos irrefutáveis, comprovados por relatórios internacionais, testemunhos oculares e evidências incontestáveis: o Estado sionista comete genocídio em Gaza, bombardeando civis, destruindo hospitais, escolas e infraestruturas essenciais, matando milhares de crianças, mulheres e idosos num holocausto moderno que envergonha a humanidade. É um Estado segregacionista por excelência, que nega direitos iguais a árabes e judeus, confinando milh...

Neoliberal, Trapaceiro, Hipócrita e Criminoso e Reacionário

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Neoliberal O governo de Montenegro é, na sua essência, a expressão crua e disciplinada do neoliberalismo que domina a Europa há décadas. Defende uma economia entregue aos mercados financeiros, serviços públicos reduzidos e privatizados, trabalhadores descartáveis e direitos laborais vistos como entraves ao “progresso”. A cartilha é sempre a mesma: privatizar o que resta do setor público, liberalizar capitais para benefício da banca e dos grandes grupos económicos, e impor um mercado de trabalho frágil, onde a precariedade se torna norma e a estabilidade, exceção. A saúde deve ser paga por quem pode pagar; a escola pública é reduzida a uma escapatória para os pobres; a proteção social resume-se à esmola mínima para evitar revoltas. Acredita-se cegamente na autorregulação dos mercados, como se não fosse justamente essa fé dogmática que tem levado crises a destruir vidas por toda a Europa. O Estado, neste modelo, existe apenas para salvar bancos e garantir lucros privados, nunca para pr...

O pacote laboral do governo Montenegro: um retrocesso civilizacional

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O governo de Luís Montenegro prepara um pacote laboral que representa um ataque brutal aos direitos dos trabalhadores e um claro retrocesso civilizacional. Sob o disfarce de “modernização”, o executivo promove uma agenda profundamente neoliberal e reacionária, que ameaça destruir o que resta do contrato social construído no pós-guerra. O aumento do horário de trabalho até 50 horas semanais, a fragilização do direito à greve, a redução da importância da antiguidade e a facilitação dos despedimentos não são medidas técnicas, são opções ideológicas. Elas procuram submeter a vida ao império do mercado e transformar o trabalhador num recurso descartável, disponível 24 horas por dia ao serviço do lucro. Como denunciam Raquel Varela e António Garcia Pereira, trata-se de um projeto político que visa desmantelar o Estado social e enfraquecer qualquer forma de resistência coletiva. O governo de Montenegro, alinhado com as teses mais duras da direita europeia, mostra-se determinado em convert...

A Era do Neoliberalismo Totalitário e a Ascensão das Direitas Neofascistas

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“O neoliberalismo não é apenas um conjunto de políticas económicas; é uma reconfiguração total da humanidade e da sociedade sob o império do mercado.” — Christian Laval e Pierre Dardot , A Nova Razão do Mundo O neoliberalismo não pertence ao passado. É o sistema hegemónico do presente — um regime totalitário de mercado , como sublinha Marilena Chauí, que se impõe sobre as sociedades contemporâneas através de uma combinação de violência económica, simbólica e cultural. Sob o disfarce da liberdade individual e da eficiência económica, consolidou-se uma forma de dominação que substitui a democracia pelo consumo, a cidadania pela competição e a solidariedade pela culpa. Desde os anos 1980, com Thatcher e Reagan, o neoliberalismo tornou-se o dogma estrutural do Ocidente. Mas o seu poder não reside apenas nas instituições: reside sobretudo na captura das consciências. George Monbiot descreve-o como a “ideologia invisível” do nosso tempo — uma fé naturalizada que molda a própria forma de pens...

Democracia em Queda Livre

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 Donald Trump, que ainda ocupa o cargo mais poderoso do planeta, publicou um vídeo gerado por inteligência artificial onde aparece a pilotar um avião que lança fezes sobre uma multidão de manifestantes que protestam contra ele. É uma imagem repulsiva — e, no entanto, tristemente coerente com o tempo em que vivemos. A política transformou-se em espetáculo de humilhação, e o poder um palco de provocação. O episódio seria apenas grotesco se não fosse profundamente revelador. Mostra até que ponto a fronteira entre o real e o artificial se dissolveu, e como a violência simbólica substituiu o debate. Quando um líder mundial recorre a ferramentas de inteligência artificial para insultar os seus opositores, não estamos perante humor — estamos perante a normalização do desprezo, a banalização da ofensa e a estetização da mentira. Mas Trump não é uma exceção: é um sintoma. O mesmo vírus alastra por todo o Ocidente. Em países onde a democracia parecia consolidada, a extrema-direita ganha ...

Carta Aberta à Provedora do Telespectador da RTP, Ana Sousa Dias

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Exma. Senhora Provedora do Telespectador, Ana Sousa Dias, Dirijo-me a V. Ex.ª na qualidade de cidadão e contribuinte, profundamente preocupado com a forma como o serviço público de informação da RTP tem vindo a degradar-se e a afastar-se da sua missão essencial: garantir uma informação rigorosa, independente e plural, ao serviço da sociedade e da democracia. O serviço público de comunicação social deve basear-se na busca da verdade, na verificação dos factos e na distinção clara entre informação e opinião. Deve defender a imparcialidade e o pluralismo, assegurando uma representação justa da diversidade social, política, cultural e regional do país. Deve atuar com transparência, responsabilidade e respeito pelos direitos humanos, promovendo o interesse público acima de qualquer influência política ou económica. O compromisso da RTP deve ser com a ética, a integridade e o direito dos cidadãos a uma informação livre, credível e acessível a todos. Infelizmente, Senhora Provedora, na...