Não Há Debate Possível
Pacheco Pereira, um dos raros intelectuais portugueses que, mesmo quando discordamos de muitas das suas posições, merece o nosso mais profundo respeito pela rigorosa capacidade de análise, pela honestidade intelectual e pelo domínio sereno da história política portuguesa, decidiu desafiar o líder da extrema-direita para um debate televisivo. O pretexto foi uma afirmação histórica claramente falsa e provocatória: a de que “pouco tempo depois do 25 de Abril havia mais presos políticos do que antes de 1974”. O desafio surpreendeu muitos. E o resultado, infelizmente, confirmou o pior cenário possível: o debate transformou-se num desastre retórico, histórico e ético. Não por falta de preparação, de argumentos ou de dossiers por parte de Pacheco Pereira — que, como sempre, dominou o terreno com precisão cirúrgica. O problema é mais profundo e estrutural: não é possível debater com a extrema-direita. Porque a extrema-direita não debate. Ela não aceita o debate como instrumento de procura da v...