O Ocaso da Civilização: O Império Decadente, o Seu Protegido Sanguinário e o Abismo Ético do Nosso Tempo
Não vivemos um mero ciclo de crise: assistimos à metástase moral galopante da modernidade. Se a década de 1930 foi o prelúdio sombrio do horror, a nossa era é o seu espelho deformado e grotesco — um tempo em que a barbárie já não se esconde nas sombras, mas se exibe em alta definição, se consome em tempo real e se integra no quotidiano com a mais cínica naturalidade. O que outrora foi o “silêncio cúmplice” das democracias liberais transformou-se na forma mais perversa e repugnante de participação: a normalização ativa, entusiástica e militante da violência mais desumana. O obscurantismo contemporâneo não nasce da ignorância, mas de uma indiferença fria, calculada e deliberadamente cultivada. Décadas de neoliberalismo selvagem não se limitaram a reorganizar economias: reprogramaram consciências, fragmentaram o tecido social até ao osso, dissolveram o sentido de comunidade e reduziram o cidadão a uma mera unidade de cálculo egoísta, incapaz de reconhecer no outro um igual, um ser humano....